Londres - A Paralimpíada de Londres começa para valer hoje e muitos dos atletas brasileiros estão enfrentando um adversário desconhecido: a pressão por resultados. O nadador Daniel Dias admitiu que sentiu os efeitos da ansiedade. ''Tive de pedir para o médico alguma coisa para dormir'', disse o nadador que, depois de ganhar nove medalhas em sua primeira participação, há quatro anos, em Pequim, vai lutar por oito na segunda - duas em provas de revezamento e seis em individuais. Nesta quinta ele luta pela primeira delas, nos 50 metros livre.
Daniel Dias está vivendo uma experiência nova. Há quatro anos, não havia expectativa sobre sua participação. Agora contam mais do que nunca com ela para atingir a meta de terminar a Paralimpíada em sétimo lugar. Ele sabe que é o homem a ser batido pelos rivais. ''Mas tento ver o lado bom da situação, que é inspirar o respeito dos adversários'', ponderou.
Daniel foi o porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura nesta quarta. ''Confesso que fiquei mais preocupado com isso do que a natação porque para a natação eu treinei. Carregar a bandeira é uma emoção muito grande''.
Seu companheiro de piscina e de prova, Clodoaldo Silva, está tão empolgado com o ambiente em Londres que já admite a possibilidade de voltar atrás em sua decisão de despedir-se das piscinas na Inglaterra. Pode competir mais uma vez em 2016. ''Confesso que estou bem na dúvida. Um dos motivos é minha filha Anita'', disse o atleta. A ideia de proporcionar à menina, de nove meses, a oportunidade de vê-lo em ação daqui quatro anos é um estímulo.
Se a Paralimpíada tem causado ansiedade em uns e dúvida em outros, para a velocista Terezinha Guilhermina tem significado o tempo de desfrutar dos benefícios da experiência. Ela conta que está dando maior vazão às emoções e deixando transparecer um lado ''menos automático'' se comparado ao que costumava fazer nos Jogos de 2004 e 2008. ''Estou trabalhando, mas também vivenciando cada momento. Compartilho tudo junto com as meninas que estão no meu apartamento. Hoje estou conseguindo administrar as emoções como nunca fiz em uma competição antes''.
O também velocista Lucas Prado é outro que mostra tranquilidade. Conta que treinou forte na fase final de preparação para a Paralimpíada e não esconde seu principal objetivo em Londres. ''Quero conquistar três medalhas de ouro''.
Estreias
Além da natação, o Brasil também tem estreia no basquete em cadeira de rodas. O adversário será a Austrália. No golbol masculino, os homens enfrentam a Finlândia e as mulheres, a Dinamarca. A equipe do hipismo de adestramento também entra em ação, assim como o judô e o tênis de mesa.

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