A grande notícia da semana para o esporte brasileiro foi a conquista do título da Fórmula Indy por Gil de Ferran. Afinal, desde a morte de Senna, em 94, que nenhum piloto brasileiro foi campeão em uma categoria de ponta. O título obtido por Ferran foi mais do que justo, ainda mais que este ano o campeonato esteve muito equilibrado, com pelo menos dez competidores brigando pela ponta até a três etapas da corrida final. A única vez que um brasileiro havia erguido a taça de campeão na categoria fora em 89, com Émerson Fittipaldi.
Gil de Ferran conseguiu um título após oito anos de muita disputa e, além disso, trouxe de volta a Penske aos seus bons dias, quando era a maior e melhor equipe da Fórmula Indy. Além de Ferran, o Brasil este ano deu um show na pista. Roberto Moreno, da Patrick, terminou em terceiro lugar; Hélio Castro Neves, parceiro de Ferran na Penske, em sétimo; Cristiano da Matta, da PPI Motorsport, em décimo; e Christian Fittipaldi, da Newman-Haas, em 12º. Estes foram os melhores na temporada.
A conquista de Ferran veio provar, principalmente este ano, que o Brasil é uma verdadeira fábrica de campeões. Senão vejamos: além de Ferran, na Indy, títulos para Bruno Junqueira, na F-3000 internacional; Antônio Pizzonia, na F-3 inglesa; Felipe Massa, na F-Renault européia, todas categorias de acesso à F-1. Além disso, dois paranaenses foram campeões no exterior: o toledano Ricardo Sperafico faturou a F-3000 italiana; e o curitibano Nilton Rossoni venceu a Barber Dodge norte-americana e pode disputar a Indy Lights em 2001. Só falta mesmo a F-1. Aí a história é diferente.
- Com as várias conquistas este ano, os pilotos mudam de categorias em 2001. Bruno Junqueira está quase certo na F-Indy, pela equipe Chip Ganassi, no lugar de Juan Pablo Montoya, que vai correr na F-1, pela Williams; Pizzonia deve optar pela F-3000 internacional, o mesmo acontecendo com Sperafico. Por sinal, ambos estão lutando por uma vaga na equipe Petrobras Júnior.
- O Autódromo Internacional de Cascavel terá um dia dos mais cheios hoje, com a última etapa do Sul-Americano de F-3. O brasiliense Vitor Meira e o paulista João Paulo de Oliveira lutam pelo título. Este ano a média de pilotos não chegou a 20 na categoria, que tem que dar uma maior motivação aos pilotos e equipes. Poucos novatos se arriscaram a correr na mesma, com a maioria sendo competidores que já stiveram no exterior ou não estão correndo regularmente.
- A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) teve eleição e pouca gente ficou sabendo. Tudo na maior surdina. Se fosse algum evento importante o fato seria bem divulgado. Porque todo este silêncio?
- Londrina parece que não sedia mais provas do Paranaense este ano. As duas últimas etapas acontecem em Cascavel e Pinhais. Aliás, nesta temporada, o certame conseguiu ser pior do que o dos anos anteriores. Onde estão os clubes? Como ficam os pilotos? E as categorias que não empolgam ninguém? Alguma coisa precisa ser feita.

mockup