São Paulo - Mágico, fenômeno, deus, malabarista, estratosférico, messias. Nunca a imprensa européia abusou tanto de adjetivos para expressar admiração pelo talento de jogadores brasileiros. Reverência que não se limita a um fora-de-série, mas a três de uma vez Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká.
O primeiro, com mais tempo de estrada, continua a ser o ponto de referência no ataque do Real Madrid. O segundo frequentou o 'limbo', na passagem apagada no Paris Saint-Germain, mas encanta no Barcelona. O ex-são-paulino, o mais jovem do grupo, está em sua primeira temporada na Europa e se firma com extraordinária velocidade como ídolo no Milan.
Não é de agora que o trio de ouro provoca fascínio. Os elogios têm feito parte de sua rotina. Mas esta semana os três praticamente monopolizaram manchetes um por dia. Ronaldinho Gaúcho puxou a fila, na segunda-feira, pois no domingo completou 24 anos e deu de presente para a torcida do Barcelona um belo gol, em cobrança de falta, que garantiu vitória por 1 a 0 sobre a Real Sociedad no último minuto. Com esse resultado, o time se firmou no terceiro lugar no Campeonato Espanhol e sonha até com o título.
Na quarta, os holofotes voltaram-se para Kaká, que na noite anterior havia marcado dois gols ao liderar o Milan nos 4 a 1 sobre o La CoruÀa, pela Liga dos Campeões. Na quinta-feira, os jornais espanhóis foram generosos com Ronaldo, que retornou ao Real depois de 17 dias de afastamento e se mostrou incisivo para construir os 4 a 2 no Monaco, também pela competição européia: marcou o quarto gol e sofreu o pênalti que resultou no terceiro.
Embora ainda haja nove meses pela frente, previsões otimistas indicam que são fortes concorrentes ao prêmio de melhor do mundo, oferecido pela Fifa. Ronaldo é o único dos três que mereceu essa distinção, em 1996, 1997 e em 2002.
Os números pesam em favor dos pentacampeões. Ronaldo, artilheiro por função e vocação, acumula 20 gols no Campeonato Espanhol, quatro na Liga dos Campeões e dois na recém-encerrada Copa do Rei. O desafio que se impôs é o de chegar a 35 na temporada 2003-04. Ronaldinho Gaúcho não é 'matador' de ofício e ainda assim mostra pontaria, com 17 gols em partidas oficiais. Kaká tem 13.
Cada um convive com a fama a sua maneira. Ronaldo acumula três Copas, além de gols, alegrias e tristezas no PSV, Inter, Barça e Real. Por isso, reage com a serenidade de quem conhece seu carisma. ''Quero continuar a sorrir'', afirmou.
Ronaldinho Gaúcho aos poucos se dá conta da importância que tem para o Barcelona. Ao desembarcar na capital da Catalunha, em agosto do ano passado, não imaginava que pudesse transformar-se em curto espaço de tempo na estrela do grupo.
Kaká, 22 anos em abril, não é extrovertido como os Ronaldos não leva jeito para batucada nem é bom contador de histórias. Um jogo aqui, um gol ali, uma jogada de efeito acolá e eis que Kaká, a aposta de US$ 8,5 milhões de Berlusconi & Cia. apressou a saída de Rivaldo e mandou o português Rui Costa para o banco.

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