Miami, 26 (AE) - Tony Kanaan assistiu ao GP do Brasil de Fórmula 1 até a saída de Rubinho Barrichello. Deu um soco na mesa quando a Ferrari parou e foi reunir-se com os engenheiros para discutir a estratégia para a prova de abertura da Fórmula Indy, hoje, em Homestead. "Que pena. Quebrou o motor errado da Ferrari. O Rubinho merecia chegar ao final. Ao contrário da Austrália, desta vez ele teve trabalho e fez duas belas ultrapassagens sobre os carros da McLaren", comentou.
Piloto da Hollywood/Mo Nunn, correndo com Reynard/Mercedes, Kanaan diz que os dois pilotos da Ferrari são paradigmas para sua carreira. "O Mika Hakkinen não me diz nada quando está na pista. Mas gosto de observar o Schumacher, a maneira como ele entra e sai do boxe é impressionante. O jeito que ele prepara o bote. O Rubinho também me dá dicas muito importantes. Foi com ele que aprendi, por exemplo, como aquecer os pneus com o uso correto dos freios. Isso serve para a F-1 como para a Indy".
A criteriosa preparação física dos pilotos da Ferrari também impressiona Kanaan. "Faço como eles. A forma física é fundamental para um bom piloto".
Outro piloto muito aborrecido com a quebra da Ferrari de Rubinho era o carioca Gualter Salles, que corre com Lola/Ford da Dale Coyne. Amigo assumido de Rubinho, Gualter lamentou o fim da prova antecipado para o piloto brasileiro. "Eu alinharia no grid com mais prazer se o Rubinho tivesse terminado bem a corrida", comentou.
Luis Garcia Jr, que corre com Reynard/Mercedes da Arciero PRG, atrasou uma reunião da equipe por alguns minutos para não perder a largada da F-1. Depois também acompanhou a prova até a saída de Rubinho. "Estava torcendo para ele. Mas este ano o Rubinho vai vencer sua primeira corrida, sem dúvida".
A maioria das tendas armadas pelas equipes da Indy, sob um sol muito forte, em Homestead, tinham monitores de televisão, exibindo as imagens do GP do Brasil de Fórmula 1 para seus convidados e membros assim como na sala de imprensa do circuito de Miami. A narração e comentários eram de jornalistas ingleses, muito impressionados com a vibração da torcida por Rubinho Barrichello, que traduziam o nome do circuito de Interlagos por "Be tween the Lakes".
Na tenda da Mercedes (que fornece motores para algumas equipes da Indy como a Hollywood/Mo Nunn e Nortel/PacWest), os técnicos e engenheiros demonstraram inquietação quando Mika Hakkinen abandonou a prova, subitamente, levando a McLaren para o box. Depois de uma comunicação com a equipe ingelsa, em São Paulo, veio a informação de que o problema no motor ainda tinha que ser melhor avaliado.
Gil de Ferran, pole position da corrida de hoje, também acredita que Rubinho vencerá corridas este ano. "Tudo o que ele tem que fazer é não se abater com os problemas. Eu sei muito bem o que é isso", disse.