As mudanças que serão adotadas em caráter experimental, ainda este ano, pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), agradaram, de certa forma, aos técnicos brasileiros da modalidade. A principal novidade será a duração de cada set, que passará a ser por tempo e não mais por pontos. Para favorecer as transmissões da televisão, cada set terá 25 minutos. Atualmente, existe um limite de 15 pontos, podendo chegar até os 17. Agora, se a partida chegar aos cinco sets, terá uma duração máxima de 2 horas e cinco minutos.
‘‘Acho uma mudança muito positiva porque, favorecendo as TVs, vai contribuir para popularizar e massificar o esporte’’, justifica o técnico do Leites Nestlé, Sérgio Negrão, tricampeão da Superliga Feminina. O técnico do Olympikus, Renan Dal Zotto, segue a mesma linha de raciocínio e aponta como fundamental o papel da televisão. ‘‘O vôlei é um produto maravilhoso e tem de ser bem comercializado’’, afirmou.
A primeira experiência com a nova regra será na Copa Grand Challenge, no Japão, em novembro, que reunirá os campeões continentais, entre eles as seleções brasileiras masculina e feminina. Segundo o presidente da FIVB, o mexicano Rubén Acosta, o vôlei tem de ‘‘enfrentar os desafios do futuro e adaptar-se às necessidades do esporte moderno’’. Até o fim da tarde de hoje, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) não havia recebido nenhum comunicado oficial da FIVB sobre as mudanças.
ContraO técnico da seleção brasileira masculina, Radamés Lattari, diz ser a favor de todas as mudanças ‘‘benéficas’’ para o esporte. Ele tem dúvidas, porém, se esta mudança terá um efeito positivo. ‘‘A limitação de tempo por set é algo complicado’’, comentou. ‘‘Se forem 25 minutos de bola em jogo, será muito desgastante e, se for tempo corrido, o vôlei vai perder suas características.’ Na Liga Mundial, que começa em maio, Lattari terá mais uma arma: a espiã Gilda Teixeira, que assistirá às partidas das outras equipes e passará as informações.

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