Brasileiro quebra recorde mundial dos 50 m peito
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sexta-feira, 08 de maio de 2009
Folhapress 
Rio de Janeiro - O mundo vai estar de olho nessa piscina nas provas de peito. A frase do técnico Arílson Soares, do Pinheiros, soaria exagerada antes do início do Troféu Maria Lenk, no Rio. Afinal, o nado de peito era, nos últimos anos, o calcanhar de Aquiles do país, sem resultados expressivos em nível mundial e com poucos destaques. Depois do que aconteceu ontem, no entanto, a previsão do treinador paulista não parece mais improvável como antes.
O responsável pelo feito é Felipe França. Com o Jaked, a nova sensação dos maiôs, o nadador quebrou a barreira dos 27s e cravou 26s89 nos 50 m peito. Novo recorde mundial. O sul-africano Cameron van der Burgh detinha a antiga melhor marca (27s06). Desde 2008 eu pensava nessa marca, mas rolou pressão, desconcentração, declarou França. Acho que isso (o recorde) tem a ver com minha ida à Olimpíada. Eu estava entre os melhores do mundo. O Cielo estava na minha frente e foi campeão olímpico. Eu morei perto dele, vi tudo o que ele fez, isso desmistifica a medalha, completou o recordista.
O último brasileiro a estabelecer uma melhor marca do mundo em piscina olímpica (de 50 m) havia sido Ricardo Prado, nos 400 m medley, em 1982. França, 21, nem havia nascido. Antes do recorde, outro atleta havia chamado atenção para a revolução no nado de peito do país. Na terça, nas eliminatórias dos 200 m peito, Henrique Barbosa quebrou o recorde sul-americano, com 2min08s65, e se tornou o líder do ranking.
Na decisão, Barbosa foi além. Com 2min08s44, tornou-se o segundo homem mais rápido da história nessa prova. Antes de Barbosa, Tales Cerdeira havia batido o recorde sul-americano (2min09s30) e assegurado vaga no Mundial de Roma. No feminino, Carolina Mussi também garantiu seu posto. Os dois usavam Jaked.
Hoje, a partir das 10 horas, ocorrem as finais dos 50 m peito, prova não olímpica. As eliminatórias dos 100 m são à tarde. Na primeira, cinco homens e três mulheres têm índice. Na segunda, só Barbosa e França. Os dois mais rápidos vão à Itália.
Para Eduardo Fischer, um dos mais consagrados nadadores de peito do país, a evolução dos novatos começou graças à ausência de rivais que levaram à sua hegemonia nas piscinas. De 1999 a 2005, eu e o Marcelo (Tomazini) ganhamos tudo. Acho que os técnicos e nadadores viram aí uma brecha para crescer, afirmou ele, 25 vezes campeão brasileiro, que ainda busca vaga no Mundial.
Aos 29 anos, Fischer já assistiu a várias mudanças no estilo do nado. Para os mais jovens é mais fácil. Eles não tiveram de trocar sua técnica. Só eu mudei três vezes. E cada uma delas vinha com maus resultados, disse.


