Se depender do apoio e carinho do torcedor de Manizales, a Seleção Brasileira não vai ter problemas para vencer Honduras e garantir classificação às semifinais da Copa América. A afirmação é do ex-jogador Edson Vieira, 35 anos, que conhece bem o Estádio Palogrande, local do jogo de hoje, e a cidade colombiana localizada a 2.300 metros acima do nível do mar. Vieira entrou para a história do Once Caldas (time de Manizales) ao marcar o primeiro gol no jogo inaugural do estádio no dia 1º de agosto de 1994 num amistoso contra o Cruzeiro. O time colombiano perdeu por 5 a 2, mas o ex-meia-esquerda revelado pelo Londrina deixou seu nome gravado na memória do torcedor local ao marcar o gol no goleiro Dida – hoje reserva da Seleção de Luiz Felipe Scolari –, numa falta em dois lances dentro da grande área.
No momento do gol, Edson Vieira nem teve a percepção de que estava entrando para a história do Estádio Palogrande de 40 mil lugares. ‘‘Foi tanta alegria na hora que nem deu para pensar nisso. Só lembro que comemorei e corri em direção ao presidente da Colômbia na época, o César Gaviria, que estava no estádio. Só depois percebi que tinha feito um gol histórico’’, conta. Apesar da importância do gol, o ex-meia nunca foi homenageado com uma placa ou coisa parecida. ‘‘Não fizeram, mas um dia irão fazer. Essa geração não vai esquecer que um brasileiro triunfou lᒒ, acredita ele. Apesar de não ter conquistado nenhum título, o Once Caldas, time mediano da Colômbia, chegou à quarta colocação no campeonato.
Vieira lembra que o futebol está no sangue dos torcedores de Manizales, que nutrem forte paixão pelo futebol brasileiro. ‘‘A torcida tem um respeito muito grande pelos brasileiros e é mais fanática do que o torcedor de Cáli (onde o Brasil jogou a primeira fase da Copa América). A Seleção terá um grande apoio.’’
Edson Vieira acredita que os jogadores da Seleção também não têm motivos para se preocupar com a segurança. ‘‘Manizales é uma cidade maravilhosa, cercada por montanhas e sem o perigo da guerrilha. Às vezes, nem o avião desce no aeroporto de lᒒ, destaca ele, lembrando que a chuva cai durante oito meses por ano na cidade. ‘‘Chega a chover três vezes ao dia.’’ Outra particularidade de Manizales é o vulcão Nevado del Ruiz, ainda em atividade, e capaz de causar tremores de terra. Vieira sentiu os efeitos do vulcão duas vezes durante sua passagem pelo Once Caldas. Numa delas, foi pego de surpresa quando batia bola com um companheiro num ginásio coberto e, por sorte, o abalo foi pequeno.
O ex-jogador tem ainda uma sugestão para que a Seleção não sinta os efeitos da altitude. ‘‘O melhor remédio é fazer um aquecimento forte. Para mim deu certo e o meu organismo se adaptou bem’’, lembra. Vieira jogou durante dois anos na Colômbia e defendeu Union Madalena de Santa Marta, Once Caldas e Millionários de Bogotá. O ex-meia jogou por Londrina, Botafogo-RJ, Mogi Mirim, Universidade Guadalajara e Atlas do México, Comercial e Botafogo de Ribeirão Preto, futebol grego, Ceará e Portuguesa Londrinense (onde encerrou a carreira em 1999). Enquanto aguarda convites para prosseguir na carreira de técnico – dirigiu este ano os juvenis da Lusinha –, Edson Vieira concilia a administração de um estacionamento com a vida de empresário de futebol.

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