Brasileiro longo gera torneio 'mutante'
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segunda-feira, 21 de julho de 2003
Agência Folha 
São Paulo - O Campeonato Brasileiro que deveria, na teoria, ser o mais planejado da história, enveredou pelo caminho inverso. Na temporada em que trabalho a longo prazo é essencial o torneio terá nove meses de duração , os clubes mudam de comando como em raras vezes e contratam e perdem jogadores em ritmo alucinante.
Após 20 rodadas, nada menos do que 17 dos 24 times (71%) já trocaram de treinador. Há casos, como os de Paraná e Grêmio (que ontem dispensou Dario Pereyra), em que houve duas trocas.
O número é bem superior ao registrado nas duas últimas edições. Em 2002, quando o Nacional foi disputado por 26 equipes, 14 delas (54%) mudaram de comandante no decorrer da competição. Em 2001, o índice de demissões de técnicos também foi menor que o atual 16 dos 28 clubes, ou 57%.
Outro fenômeno que afeta o primeiro Brasileiro de pontos corridos da história é o esfacelamento das equipes, desfalcadas por propostas do futebol europeu e também pelos compromissos das várias seleções neste ano.
Praticamente metade dos participantes perderam, definitivamente, jogadores para clubes do exterior. A debandada já se reflete na tabela de artilheiros do Brasileiro: dos 697 gols marcados até agora, pelo menos 64 foram assinalados por atletas que não disputam mais a competição.
Talvez o melhor exemplo seja o atacante Deivid. Principal artilheiro do torneio ao lado de Luis Fabiano e Dimba , com 15 gols, o jogador trocou o Cruzeiro pelo francês Bordeaux.
Kléberson, Rodrigo Fabri e Athirson são outros atletas que ''abandonaram o barco'' no meio do caminho, deixando seus clubes sem peças de reposição no mesmo nível.
Se as saídas de treinadores são intervenções desesperadas de quem só pensa nos resultados a curto prazo, a perda dos jogadores comprova a incapacidade dos dirigentes de assinar bons contratos com seus atletas.
Hoje, a maioria referenda compromissos que prevêem a liberação dos contratados no caso de ofertas mais vantajosas.
''A verdade é que nós estamos passando por um aprendizado sobre como se comportar num campeonato longo'', diz o vice-presidente de futebol do Corinthians, Antonio Roque Citadini.
O clube é um dos sete que mantiveram seu treinador, mas em compensação perdeu um de seus principais jogadores (o capitão da equipe, Fábio Luciano, negociado com o futebol turco).
Sem dinheiro para buscar jogadores para montar seus elencos, vários times têm apelado para as pratas da casa. Foi o caso do próprio Corinthians, que recentemente precisou promover até jogadores da equipe juvenil.
O regulamento do Brasileiro permite a inscrição de atletas até o dia 31 deste mês. Há pelo 150 deles, em clubes da Série A, que podem trocar de camisa porque só participaram de no máximo duas partidas no Nacional.


