São Paulo, 03 (AE) - Um único brasileiro foi indicado para participar entre os 24 melhores jogadores de basquete de até 19 anos - metade dos Estados Unidos e metade do restante do mundo -
do Nike Summit. O evento, que será realizado em Tampa, na Flórida, de 21 a 28 de março, é composto de um período de treinamentos e um jogo de encerramento em que o time dos Estados Unidos enfrenta o do resto do mundo. Só os melhores juvenis são convidados para o evento e Guilherme, de 18 anos e 2,02 metros, uma das principais revelações da nova geração, é o primeiro brasileiro a ser incluído na lista.
"É o maior talento, desde a nossa geração", afirma o ex-jogador Marcel de Souza, hoje técnico de Guilherme, no Pinheiros - clube que investe na formação de base. Marcel formou com Oscar Schmidt uma das mais importantes duplas do basquete masculino, nos anos 80.
O técnico observou que, nesta temporada, Guilherme foi eleito entre os melhores jogadores adultos para integrar a seleção paulista, formada pelos destaques do último campeonato estadual. "É um jogador de muito futuro, mas que já está em um nível bom", comenta Marcel. "Com mais experiência, será um dos destaques do basquete nacional."
O técnico entende que o atleta "tem de ir para a seleção brasileira principal rapidinho". O Brasil precisa de novos talentos, já que enfrenta um vazio na transição de gerações. A atual seleção brasileira foi sexta colocada na Olimpíada de Atlanta, em 1996, mas com jogadores veteranos, incluindo Oscar. Com os jogadores da atual geração foi 11.ª no Mundial do Canadá, em 1994, e 10.ª no Mundial da Grécia, em 1998.
O Brasil vai participar de um Mundial Juvenil este ano, depois de uma ausência de 12 anos na competição. A última vez que a seleção disputou um Mundial da categoria foi em 1986. A geração que hoje forma a seleção principal não conseguiu ir a um Mundial Juvenil.
Boa surpresa - Guilherme ficou surpreso com a escolha - a Nike recebe nomes de todos os países, por intermédio de agentes e técnicos e, a partir daí, manda observadores para avaliar cada atleta antes de completar a indicação. "Eu não esperava estar entre os melhores do mundo, mas trabalho bastante para que essas coisas ocorram", diz o garoto, que começou a jogar basquete em Piracicaba, com oito anos, já integrou a seleção brasileira infanto-juvenil e a seleção juvenil, campeã sul-americana e terceira colocada no Pan-Americano, no ano passado.
O pivô não esconde que sonha em ser convocado pelo técnico Hélio Rubens para a seleção adulta. Mas comenta que prefere não pensar muito no assunto. "É melhor ter a surpresa de ser convocado, como agora para o Summit, do que ficar decepcionado porque algo que espera não deu certo." Considerado o principal talento de sua geração, Guilherme afirma que não se sente pressionado. "Eu treino, trabalho muito para alcançar um objetivo, quando chego lá fixo outro e procuro lidar com tudo da melhor maneira possível."

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