São Paulo, 05 (AE) - Um sono de 12 horas, depois de correr 48 horas sem dormir, serviu para o descanso de Luciano Prado dos Santos, que já está no Brasil, depois da vitória na 17.ª Run Across The Years Track Race, com recorde continental e da prova. Luciano, que era o recordista das 24 horas, percorreu 365,2 km em 48 horas de corrida conquistando o título e quebrando o recorde sul-americano, que pertencia a André Vazquez, com 315,6 km. Foram 913 voltas na pista de Phoenix, no Arizona, Estados Unidos.
Luciano terminou a prova três quilos mais leve e três centímetros menor, por causa da contração da coluna, mas considera que tudo valeu a pena. "Consegui ficar bem e fazer uma boa marca", comentou Luciano, que amanhã volta ao seu trabalho normal - como técnico de audio na ESPN Brasil. Tem planos de continuar a praticar provas de resistência, mas precisa de patrocínio. "Gostaria de correr perto de 400 km em 48 horas", disse Luciano (o recorde mundial é 452 km, do grego Gannis Kouros). "Mas para isso só tendo um patrocinador."
Além da vitória de Luciano, o Brasil foi campeão nas 144 horas
o equivalente a seis dias, com Antônio Edmilson de Freitas, que correu 712,3 km, e das 24 horas, com Edson Luis Meneses Ferreira. André Vazquez foi vice-campeão nas 48 horas.
A avaliação do ultramaratonista é extremamente positiva. Disse que não sentiu muito sono, que não teve bolhas nos pés (parava a cada quatro horas para trocar as meias e passar vaselina), comeu caminhando (macarrão, banana, bolacha etc), fez uma hidratação constante e conseguiu driblar o frio do deserto à noite. "A temperatura era de 35 graus durante o dia e de 5 graus à noite - o que exigia cuidados como a troca de roupas leves por calças, luvas e touca e uso de protetores solar e labial", afirmou Luciano. O walkman - "ouvi muita música country nas rádios locais", observou - e um discman, com música brasileira - "cantei junto, bem alto", disse - ajudaram a manter a concentração.
O pior da prova, na sua opinião, foi a organização não ter providenciado massagista. "Eram 70 atletas nas três categorias, nenhum massagista e o médico que atendia também estava competindo", criticou. Teve a ajuda de Edinho, marido da corredora Maria Dominiciana . "Foi ele quem ajudou os brasileiros que fizeram a prova."