São Paulo, 01 (AE) - O Campeonato Brasileiro apresenta um dado interessante. Dos 358 gols marcados em 144 jogos, apenas 17 saíram por meio de cobranças de falta, o que representa somente 4,75% do geral. Guilherme, do Atlético-MG, e Alaor, do Botafogo-SP, marcaram dois gols cada um. Outros 13 atletas fizeram um. Será que existe alguma razão especial para explicar o fato? O goleiro Rogério, do São Paulo, defensor e cobrador de faltas, arrisca algumas respostas.
"Os árbitros não obrigam a barreira a ficar na distância correta da bola", argumenta Rogério. Pela regra, os atletas têm de ficar 9,15 metros do local da cobrança. "É um problema que sempre existiu, mas está muito em evidência hoje." Rogério garante que todas as equipes usam a malandragem para levar a barreira à frente, incluindo o São Paulo.
"Nem posso reclamar muito porque mais defendo faltas do que cobro", afirma o goleiro, em tom de brincadeira. Neste Brasileiro, Rogério não marcou nenhum gol em cobrança de falta e não lembra de ter sofrido também. A última vez que colocou a bola nas redes do goleiro adversário foi contra o argentino San Lorenzo, no Morumbi, em recente compromisso pela Copa Mercosul.
Rogério ainda vê outras razões para a escassez de gols de falta no Brasileiro. Os goleiros, segundo ele, têm parte de mérito, têm evoluído nos treinamentos e aprenderam a colocar-se melhor sob a trave no momento da cobrança. O são-paulino lembra ainda que a bola usada na competição pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é muito leve. "Isto prejudica a cobrança, a bola sobe muito e perde a direção", explica.
Salvador O Santos vencia o Palmeiras por 1 a 0, no Palestra Itália, há uma semana, quando o veterano Evair esbanjou categoria em uma cobrança de falta. A experiência de Zetti do outro lado de nada adiantou. Foi o gol do empate palmeirense. "Sempre treinei cobranças de falta em todos os clubes por que passei", conta Evair, adepto do estilo pouca força e bastante precisão. "Sempre tive facilidade nas cobranças."
Dos cinco gols que marcou no Brasileiro, Evair, no entanto, marcou apenas um de falta. Outros três foram de pênalti e um de cabeça. Quarta-feira, contra a Portuguesa, Zinho também fez um de falta, o da virada por 3 a 2. O corintiano Marcelinho Carioca, autor de oito gols na competição, fez apenas um de falta, sua especialidade. Três foram de pênalti.
Assim como Rogério, o goleiro Marcos, do Palmeiras, também não sofreu nenhum gol de falta na competição. Sua explicação, porém, é um pouco diferente. "Temos evitado fazer faltas na entrada da área, o que diminui também o risco de sofrermos gols de falta", diz. "Todo mundo fala que o Palmeiras é um time violento, mas isso não é verdade." Para Marcos, muita conversa dos jogadores da defesa garante menos faltas em campo.

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