Brasileirão evidencia decadência dos grandes
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segunda-feira, 23 de setembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O Palmeiras, com boa campanha, luta para se manter na liderança do Campeonato Brasileiro e o Juventude, que só venceu um jogo, briga para não ser rebaixado. Há dois meses, quem se arriscou a fazer uma previsão de como estaria a competição depois de quase metade das rodadas, provavelmente apostou numa situação como essa. E errou. O líder é o Juventude e o lanterna, que só ganhou uma vez, é o Palmeiras. Times com currículo modestos como Coritiba, São Caetano e Atlético Paranaense aparecem nas primeiras posições. Gigantes como Vasco, Botafogo, Fluminense, Flamengo e Grêmio correm contra o descenso. Os grandes não são mais tão grandes ou os pequenos evoluíram?
O Brasileirão-2002, assim como o do ano passado, em que a final foi Atlético x São Caetano, mostra que os clubes tradicionais não conseguem mais viver com o nome e vencer os adversários só com o peso da camisa. Alguns perderam dinheiro e estão quebrados, outros não conseguiram manter a estrutura de trabalho de anos atrás. ''Quem não se estruturar fora de campo não terá sucesso'', lembra Hélio dos Anjos, técnico do Paysandu.
Vanderlei Luxemburgo alegou ter deixado o Palmeiras porque o clube não lhe oferecia as condições de trabalho que gostaria de ter à disposição. Por isso, aceitou o convite do Cruzeiro. Por isso, amarga resultados desastrosos e faz a pior campanha de sua história. ''Chega uma hora em que o dinheiro não é mais prioridade na vida, mas sim a estrutura de trabalho'', diz Luxemburgo.
A disputa acirrada entre cada vez mais equipes e o equilíbrio são sempre sadios para um campeonato, mas esse fenômeno ajuda a provocar a fuga dos investidores. A decadência dos grandes, que atraem público ao estádio, dão audiência às emissoras de televisão e causam repercussão em jornais e revistas, afastam as empresas, que não terão o mesmo retorno com clubes ''médios'', de menor torcida e menos apelo.
''Se uma criança completa 6 anos, depois 10, 14 e quase não vê seu time ser campeão, vai parar de torcer.'' De acordo com Dick Law, ex-executivo da Hicks Muse, fundo de investimentos norte-americano, o Santos, supercampeão nos anos 60, é um bom exemplo de clube que vem pagando caro pelos seguidos insucessos nas últimas décadas. Tem poucos torcedores jovens, que hoje preferem Corinthians, Palmeiras e São Paulo. É um sacrifício para diretoria conseguir patrocinadores, faturar com sócios e manter o nível do elenco.
A maior prova de que muitos pequenos evoluíram, enquanto outros grandes pararam no tempo, segundo Gilberto Coelho, ex-diretor da CBF, é a estrutura que apresentam. ''O Atlético Paranaense, o Juventude, o Coritiba e o Vitória têm boas escolinhas e estádio, ao contrário do que se vê com os quatro do Rio.''


