Berlim - Por mais que os protagonistas nos últimos dias evitassem falar em revanche, não havia como deixar de associar o duelo de ontem entre Alemanha e Brasil à final da Copa de 2002. A expectativa dos 70 mil torcedores que foram ao Estádio Olímpico de Berlim e de milhões que ficaram diante da tela da televisão era a de acompanhar um clássico marcado por rivalidade, boas jogadas, gols e emoção ingredientes básicos de duelos inesquecíveis. Houve só pitadinhas desses elementos, que resultaram no 1 a 1 sem graça e descartável.
O começo deixou a sensação ilusória de partida épica no local em que, dentro de dois anos, será decidido o Mundial de 2006. Na primeira jogada bem coordenada do Brasil, aos 7 minutos, o volante Edu sofreu falta à beira da área. A barreira até tentou cumprir seu papel, mas foi ignorada por Ronaldinho Gaúcho, que tocou com perfeição e não deu sequer tempo de Oliver Kahn esboçar a defesa: 1 a 0.
Gol primoroso e que encerrou ali a participação do astro do Barcelona. Ronaldinho Gaúcho encantou-se tanto com outra de suas obras-primas que evaporou na partida, até ser substituído por Alex no segundo tempo. A vantagem também deu ao Brasil a falsa impressão de que a vitória seria fácil e vários jogadores passaram a dar toquinhos pra lá e pra cá. Entraram, enfim, no ritmo de exibição. Aos 15 minutos, ainda, Ronaldo foi lançado por Juninho Pernambucano, tentou chutar de primeira e mandou a bola bem acima do alvo.
O troco veio aos 16 minutos, e por meio do germano-panamenho-brasileiro Kevin Kuranyi. O centroavante do Stuttgart recebeu, na área, lançamento da esquerda, a defesa estava aberta e ele só teve o trabalho de ajeitar no peito e chutar forte, fora do alcance de Julio Cesar: 1 a 1.
O gol de empate animou os alemães, que foram à frente na base das trombadas e ainda assustaram Julio Cesar em outro arremate de Kuranyi aos 22 minutos. O Brasil encolheu-se e só se lembrou de chutar de novo a gol por volta dos 41 da fase final, com Júlio Baptista. Os anfitriões nem isso fizeram no segundo tempo, que foi de uma monotonia medonha.
Parreira O técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, disse que gostaria muito de voltar a enfrentar a Alemanha duas vezes antes da Copa do Mundo de 2006. Para o treinador, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, precisa se empenhar na marcação de amistosos contra seleções de ponta do futebol mundial, principalmente as européias.
''Aproveitei muito esse amistoso, pois enfrentamos uma equipe que está entre as favoritas na próxima Copa do Mundo. São jogos assim que nos permitem fazer uma análise dos jogadores, das nossas reais condições'', disse. ''Vou conversar com o presidente Ricardo Teixeira para que se concentre na realização de amistosos como esse. Quero enfrentar Itália, Holanda e será muito importante enfrentar a Alemanha mais duas vezes antes da Copa do Mundo''.



EM BERLIM

Alemanha 1

Kahn; Hinkel (Gorlitz), Huth, Fahrenhorst e Lahm; Frings, Deisler (Podolski), Ballack e Schneider; Asamoah (Klose) e Kuranyi. Técnico: Jurgen Klinsmann

Brasil 1

Julio Cesar; Belletti (Maicon), Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Edmílson, Edu, Juninho Pernambucano (Renato) e Ronaldinho Gaúcho (Alex); Adriano (Júlio Baptista) e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira

Árbitro: Urs Meier (Suíça)
Estádio: Olímpico
Gols: Ronaldinho Gaúcho aos 8 e Kuranyi aos 16 do 1º tempo

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