Rio de Janeiro - Desta vez, não foi de goleada. Nem foi fácil. O Brasil passou o maior sufoco para conseguir uma vaga na final do Mundial de Futsal. Venceu a Rússia por 4 a 2, no Maracanãzinho, em jogo muito diferente dos 7 a 0 da primeira fase.
No jogo de ontem, o fator decisivo não foi Falcão, mas a trave. A três minutos do final da partida, a seleção verde-amarela vencia por 3 a 2 e deu um contra-ataque aos russos: Khamadiev desperdiçou a oportunidade com um chute na trave. Gabriel aproveitou a decepção dos adversários e marcou o gol decisivo.
Mais uma vez, o Brasil se mostrou nervoso em quadra. Sentiu o peso da obrigação de ir à final em casa e tentar recuperar a hegemonia no futsal, perdida para a Espanha nos últimos oito anos. "Foi um jogo tenso, digno de uma semifinal", disse Falcão. "Nos momentos de dificuldade, a gente não subiu tanto ao ataque com medo de perder a posse de bola. A gente não pode aceitar a tensão do jogo."
O técnico Paulo César de Oliveira, o PC, identificou o problema. "O momento hoje (ontem) era outro, era uma semifinal", explicou o treinador. "Alguns jogadores viveram este momento no passado e tiveram uma experiência desagradável (derrota para a Espanha na semifinal de 2004). Passa na cabeça deles, infelizmente, também um filme desagradável. E eles estão ali para fazer uma história diferente."
A seleção brasileira também se ressentiu da falta de alguns jogadores no jogo desta ontem. Além de Betão, suspenso, Schumacher (tornozelo), Marquinho (joelho), Ciço e Wilde (ambos na virilha) sentiram lesões. Suas participações na decisão de domingo ainda são uma incógnita. "A final é a hora de superarmos tudo isto. Será o jogo de nossas vidas", afirmou Falcão.
Ontem, a seleção conseguiu, ao menos, exorcizar o trauma de não passar da semifinal em 2004. Ainda falta superar o de perder na final em 2000. Todos contra a Espanha, adversária de domingo, depois de derrotar a Itália por 3 a 2.
PC está confiante. "Foi um desajuste emocional, foi um desajuste técnico, foi um desajuste em todos os sentidos que poderia ter nos custado a passagem", analisa o técnico brasileiro. "O principal é que eles superaram juntos, na minha opinião, a maior dificuldade que tiveram em todo o campeonato. Com dois dias para trabalhar, chegaremos em um momento psicológico muito favorável."

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