Munique - Os problemas que Ronaldo tentou atirar para longe dele voltaram exatamente aos seus pés. A vitória do Brasil por 2 a 0, gols de Adriano e Fred, sobre a Austrália teve um efeito bumerangue para o craque. Até ontem, ele tratava suas bolhas, noitadas, doenças e rusgas presidenciais como assuntos menores, amplificados pelas câmeras que o cercam. Em suas entrevistas, dizia que o desenrolar da competição traria temas mais importantes. Após duas atuações ruins, o assunto agora é sério. Assim como na conquista da Copa das Confederações e na estréia do Mundial, a entrada de Robinho tornou a seleção mais leve e feliz dentro de campo.
  Enquanto os dois times se confraternizavam ao fim do jogo, Ronaldo foi um dos primeiros a descer ao vestiário. Seu desconforto é visível até para dominar bolas. O sentimento começa a ser compartilhado pelo técnico Parreira e companheiros. Enquanto Ronaldo ficou em campo, até os 27 minutos do segundo tempo, o sacrifício foi de todo o time. Adriano jogava recuado, fora de posição. Praticamente só na armação, Kaká gastava as energias correndo o campo todo.
  Conhecido pela busca do equilíbrio, Parreira tem invertido as medidas. A formação que rende menos é a que fica mais tempo no campo. Já o esquema que dá certo, não treina junto e tem apenas pouco minutos para evoluir. Mais uma vez, Ronaldinho Gaúcho recuou para iniciar as jogadas e teve que recorrer aos passes longos diante da falta de tabelas e jogadas pelas laterais. Apesar do sorriso que o melhor do mundo insiste em exibir, foi com mais sofrimento do que prazer que o time chegou aos seis pontos e assegurou a classificação antecipada para as oitavas-de-final.
  O Brasil fica na Copa do Mundo até pelo menos o dia 27 de junho. Até lá, Ronaldo ainda tem tempo de recuperar o ritmo. A decepção que tem causado é proporcional a sua importância. Mesmo sem jogar bem, ele deu o passe para o primeiro gol, de Adriano. Faltou outra vez o gol, seu 13º em Copa, que o fará superar Pelé e torná-lo o artilheiro da seleção em Mundiais.
  As dificuldades ficaram claras logo primeiro lance do jogo, em que o atacante não conseguiu dominar a bola. Ao tentar se livrar de três jogadores, Ronaldinho Gaúcho pisou na bola e caiu sozinho. Aos 37, Ronaldo ficou livre diante do goleiro mas quase não acertou na bola e caiu de forma lamentável.
  A lucidez chegaria no segundo tempo. Após receber bola de Ronaldinho Gaúcho na entrada da área, Ronaldo desistiu do drible e passou para Adriano fazer 1 a 0, aos 4 minutos. Aos 11, Dida soltou a bola nos pés de Kewell, que chutou por cima como gol vazio. Logo depois, Zé Roberto errou passe ao sair jogando, mas voltou à tempo de consertar à lambança.
  Até que mais uma vez, o que era uma quadrado estático se transformou num carrosel. Com a entrada de Robinho, futebol voltou a ser a brincadeira mais levada à sério do planeta. Em cinco minutos, já criara três oportunidades. Aos 36, Ronaldinho cobrou córner e Kaká cabeceou na trave.
  Depois de entrar no lugar de Adriano, Fred precisou de dois minutos para fazer o que Ronaldo não consegue há dois jogos. Após receber de Ronaldinho Gaúcho, o estreante tentou, sem sucesso, jogada com Kaká, mas conseguiu o passe para Robinho, que chutou na trave: o rebote voltou nos pés de Fred, que fez seu primeiro gol em Copas aos 46.


BRASIL 2
Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson (Gilberto Silva), Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho; Adriano (Fred) e Ronaldo (Robinho). Técnico: Carlos Alberto Parreira

AUSTRÁLIA 0
Schwarzer; Moore (Aloisi), Popovic (Bresciano), Neill e Chipperfield; Emerton, Grella, Culina, Sterjovski e Cahill (Kewell); Viduka. Técnico: Guus Hiddink

Árbitro: Markus Merk (ALE)
Estádio: Allianz Arena, em Munique
Gols: Adriano aos 4 e Fred aos 45 minutos do 2º tempo

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