São Paulo - O maior celeiro de craques do vôlei masculino pode ter encerrado, com um revés, seus 26 anos de história. A derrota de terça-feira para o Montes Claros deve ter sido o melancólico capítulo final de uma trajetória repleta de sucessos do Brasil Vôlei Clube, ex-Banespa.
O time de São Bernardo perdeu o terceiro e decisivo jogo da série das quartas de final por 3 sets a 2, parciais de 25/21, 18/ 25, 21/ 25, 25/23 e 15/12, e acabou eliminado da Superliga. Na mesma noite, a Cimed fez 3 a 0 no time de Caxias do Sul e também avançou para a fase semifinal - enfrentará o Pinheiros.
Pelas quadras e pelas famosas peneiras do clube já passaram grandes estrelas do esporte. Lá, foram lapidadas as duas gerações de ouro do Brasil. Tande, Giovane, Marcelo Negrão, Maurício, Ricardinho, Gustavo, Murilo e Rodrigão estão entre os principais nomes formados pelo clube paulista.
Em agosto de 2009, o Santander anunciou que encerraria a parceria após a Superliga.
Há um ano, o Osasco, tradicional equipe feminina, experimentou frustração similar quando perdeu o patrocínio de um outro banco e quase encerrou suas atividades.
Em vão, o presidente do Brasil Vôlei, José Montanaro Júnior, busca um novo patrocinador desde o ano passado.
Os atletas das categorias de base, infantojuvenil e juvenil, já foram dispensados. E a peneira, pela qual passaram cerca de 40 mil adolescentes, foi extinta.
Segundo Montanaro, o Santander saiu do vôlei para direcionar seus investimentos no futebol e no automobilismo. ''O banco quis fazer uma posicionamento mais global da marca. Isso se estendeu aos patrocínios esportivos. O vôlei não foi contemplado porque, segundo eles, não tem tanta amplitude'', diz Montanaro.
Segundo o dirigente, um dos principais empecilhos para os novos parceiros é o alto custo de manutenção de uma equipe de ponta. O projeto do Brasil Vôlei, incluindo as divisões de base, custa R$ 7 milhões.
''Tirando o futebol, talvez o vôlei seja a modalidade mais cara'', declara Montanaro. ''Outro ponto que dificulta o patrocínio é que a Copa da África, e a próxima, no Brasil, concentram o patrocínio no futebol.''
Diante de tantas tentativas frustradas, o presidente do Brasil Vôlei já cogita ''fatiar'' o projeto entre diversas empresas. ''Se alguém quiser investir só no time adulto, ou só no juvenil, vamos negociar. O mais importante é não deixar o clube acabar'', diz o dirigente, que, a partir de maio, vai assumir a gerência das categorias de base de um outro clube, o Sesi.
Montanaro, no entanto, não quer abandonar o Brasil Vôlei. Ele ainda tem esperanças de salvar as categorias de base. Com um projeto aprovado pelo Ministério do Esporte via lei de incentivo, o clube tem até dezembro para captar recursos.

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