O Brasil deu ontem o passo decisivo para passar para as semifinais do Mundial Feminino de Vôlei ao vencer o Japão por 3 a 0, com parciais de 15-10, 15-4 e 15-7 no Rainbow Hall, em Nagoya. Pouca gente anteviu uma partida tão fácil para o Brasil contra as anfitriãs, em um duelo que significava o segundo lugar no grupo das quartas-de-final e uma vaga nas semifinais.
O Brasil fez sua melhor partida até agora no Mundial, como reconheceram, ao final do encontro, o técnico Bernardinho e suas jogadoras. A equipe brasileira esperava uma partida mais difícil em função do nível demonstrado pelas japonesas ante as poderosas russas, na partida de sábado, em que conseguiram vencer por um set.
Mas as coisas começaram bem desde o início e logo as brasileiras colocaram um 8-1 a seu favor no primeiro set. Depois, algumas decisões controversas por parte do juiz - e muito criticadas pelas brasileiras -, as asiáticas se aproximaram do marcador de 12-3 a 12-8. Esse foi o único momento feliz das japonesas, assim como o início do terceiro set, onde conseguiram empatar em 3-3.
Mas as brasileiras estavam especialmente rápidas no serviço, através do qual conseguiram sete pontos diretos, diante dos cinco de suas adversárias, grandes especialistas neste fundamento do jogo.
Leila Barros repetiu a boa atuação de sábado contra a Holanda. A arrematadora está cada vez melhor, depois de um início ruim diante da Rússia, na fase preliminar. Contra o Japão, ela marcou dez pontos, mesmo placar de Virna Dias, a grande figura do Brasil nesta competição.
Outra grande diferença entre as duas equipes foi o bloqueio. Se o Brasil conseguiu anotar cortando os arremates adversários em oito ocasiões, o Japão só conseguiu uma vez. Mas a chave da velocidade da equipe foi um serviço poderoso. As brasileiras, conscientes do bom sistema defensivo das japonesas, moveram a bola com rapidez, depois de colocar em dificuldade as japonesas com o saque.
‘‘Acho que foi a melhor partida do Brasil. Tivemos muitas variações no jogo e a velocidade depois do serviço foi fundamental’’, avaliou o técnico brasileiro ao final da partida. Ana Flavia, a capitã da equipe, concordou com Bernardinho. ‘‘Sacamos muito bem e aproveitamos este fato para jogarmos rápido e com muitas chances de contragolpes.’’
Bernardinho esperava uma partida mais difícil. ‘‘Depois de ver as japonesas contra a Rússia, esperava um encontro mais difícil. Mas nos saímos bem em nossa tática de impor velocidade ao jogo.’’
Fernanda Venturini, que marcou três pontos contra o Japão, também estava exultante. ‘‘Estamos crescendo como equipe ao longo da competição. Na partida contra a Rússia toda a equipe jogou mal, mas agora estamos mais concentradas.’’ Depois da partida, a equipe foi jantar num restaurante brasileiro do centro de Nagoya. Na festa pela vitória, as brasileiras aproveitaram para comemorar também o aniversário de Karin, que foi jogada várias vezes para o alto.
Com o primeiro lugar do grupo assegurado pela Rússia, as ‘‘meninas de ouro’’ do Brasil só ficariam de fora das semifinais se perdessem na madrugada de hoje para o Peru, o que parece impossível, visto o nível demonstrado por ambas equipes até agora. Vencendo um set nessa partida, as brasileiras estão matematicamente com vaga garantida na luta pelas medalhas.
Contra o Peru, Bernardinho provavelmente fará algumas experiências já pensando na partida contra Cuba, o pesadelo do Mundial passado e dos últimos Jogos Olímpicos, e seu provável adversário nas semifinais.

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