O Brasil caiu com a forte Espanha na primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, de 2 a 4 de abril do próximo ano. O confronto vai ser fora, pois, na última vez que se enfrentaram, os jogos foram em Porto Alegre, em abril deste ano, com vitória dos espanhóis por 3 a 2. E, por mais incrível que possa parecer, a equipe brasileira gostou do resultado do sorteio realizado ontem na sede da Federação Internacional de Tênis (ITF), em Londres.
O motivo, como alertou Fernando Meligeni, é simples: dos países que se teria para jogar fora de casa, a Espanha é a melhor opção, pois o piso a ser escolhido deve ser o saibro, especialidade de Gustavo Kuerten e Meligeni. O técnico da equipe brasileira, Ricardo Acioly, também mostrou-se satisfeito.
Sabe que, se o Brasil tivesse de jogar numa superfície rápida, as chances seriam remotas. ‘‘Se jogássemos contra a Suécia, por exemplo, certamente os jogos seriam num ginásio, com uma quadra de carpete, em que nossos jogadores não se sentem bem’’, disse Acioly. ‘‘Agora acredito que os espanhóis devem mesmo escolher o saibro para o confronto.’’ A definição da superfície escolhida só será anunciada em 45 dias.
O sorteio de ontem serviu para elaborar a chave de 16 países do Grupo Mundial de 1999 e o mando dos jogos. Quem joga em casa tem privilégios, como o de escolher o tipo de quadra mais conveniente para seus jogadores - ou o mais difícil para os adversários.
Fernando Meligeni não se assustou quando soube da notícia de que teria de enfrentar a Espanha na estréia da Davis do próximo ano. Revelou até uma curiosidade: ‘‘O Guga vivia me dizendo que iríamos cair contra a Espanha’’, disse. ‘‘Queria ir para a revanche e ganhar dos espanhóis.’’ Kuerten ficou sabendo do resultado do sorteio através do tenista Alex Corretja. O brasileiro estava almoçando com seu técnico, Larri Passos, no torneio de Palermo, na Itália, quando o espanhol se aproximou para contar que iriam se enfrentar novamente. ‘‘E vamos jogar em uma quadra de grama’’, ironizou Correjta. ‘‘Temos até um especialista nesta superfície, o Francisco Clavet’’ (jogador que este ano fez boa campanha em Wimbledon).
Brasil e Espanha já se enfrentaram por seis vezes e os brasileiros venceram apenas uma, em 1966, com Thomas Koch e Edison Mandarino. A equipe brasileira, desde 1981, quando foi criado o sistema de Grupo Mundial, jamais venceu um confronto, válido pela Primeira Divisão, jogando fora de casa. ‘‘É hora de quebrar este tabu’’, afirmou Ricardo Acioly.

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