Brasil foi um dos seis países autorizados a testar o sistema, mas ainda não o implantou
Brasil foi um dos seis países autorizados a testar o sistema, mas ainda não o implantou | Foto: Glyn Kirk/AFP



O mais conservador entre os esportes populares, o futebol finalmente se rendeu à tecnologia. Após dois anos de testes, a IFAB (International Football Association Board) aprovou no início do mês o sistema VAR (árbitro assistente de vídeo) como uma regra do futebol. Porém, no Brasil a implantação do sistema caminha a passos lentos, com a anuência dos principais clubes do País.

A decisão da IFAB – entidade que regulamenta as regras do esporte – se baseou nos testes que foram feitos em mais de mil jogos de 20 competições oficiais, como o Mundial de Clubes de 2016 e a Copa das Confederações do ano seguinte. A inclusão do VAR abre caminho para a utilização da tecnologia na Copa do Mundo da Rússia. O Conselho da Fifa se reúne na sexta-feira (16), na Colômbia, e deverá confirmar a utilização do árbitro de vídeo no Mundial. Para a Fifa, o VAR deixará o futebol mais justo.

"Acredito que teremos problemas na Copa, erros dos árbitros de campo e de vídeo, mas vai ser melhor com o VAR do que sem ele. Trará mais benefícios que prejuízos", afirma o ex-árbitro Sálvio Spínola, comentarista de arbitragem dos canais ESPN. "E na questão disciplinar, vai evitar a influência do tribunal em decisões exclusivas da arbitragem."

Se o uso da tecnologia deixa os saudosistas do futebol de cabelo em pé, eles podem ficar tranquilos, pois as polêmicas em lances duvidosos persistem. Mesmo com os testes em andamento há dois anos, muitas dúvidas ainda recaem sobre o uso correto do VAR. Em recente jogo entre o Tottenham e o Rochdale, pela Copa da Inglaterra, o árbitro utilizou a tecnologia em cinco oportunidades e foi criticado pelos jogadores pelo excesso de paralisações da partida e pelo tempo para as tomadas de decisão.

A orientação da IFAB é bem clara e nem todo lance polêmico poderá ter o auxílio do árbitro de vídeo. O sistema deve ser usado em apenas quatro situações: situações de gol, marcação de pênaltis, cartões vermelhos e confusão da identidade de jogadores. "Costumo dizer que o árbitro de vídeo é para erros de elefante e não erros da formiga", ilustra Spínola.

Brasil
O Brasil foi um dos seis países autorizados pela Fifa a testar o VAR, porém, o sistema ainda não foi implantado no País. A única experiência aconteceu na final do Campeonato Pernambucano do ano passado.

Durante o Brasileiro de 2017, a CBF chegou a anunciar a utilização do sistema após a polêmica vitória do Corinthians sobre o Vasco com um gol de mão do centroavante Jô. Problemas técnicos, no entanto, adiaram a decisão.

O objetivo da CBF era implantar o VAR a partir do returno do Brasileirão deste ano, mas a maioria dos clubes que disputam a Série A rejeitou a proposta. A decisão foi tomada no Congresso Técnico realizado em fevereiro, no qual os clubes são soberanos.

Dos 20 participantes, 12 votaram contra a implementação do VAR, entre eles os dois representantes paranaenses na elite: Atlético e Paraná Clube. Outros sete votaram a favor e o São Paulo se absteve da votação. O Tricolor paranaense justificou o voto alegando que existem outras prioridades em relação à arbitragem, como a profissionalização dos árbitros, antes de se pensar em outros pontos. O Atlético não respondeu à FOLHA.

Um dos empecilhos que frearam a empolgação dos clubes foram os custos apresentados pela CBF. A implementação do VAR no Brasileirão custaria R$ 20 milhões, valor que teria que ser dividido entre os 20 times. Diante da negativa, a CBF confirmou a utilização do árbitro de vídeo a partir das quartas de final da Copa do Brasil, com todo o custo sob sua responsabilidade.

Sálvio Spínola critica a CBF por fazer um marketing negativo contra o uso do VAR. "A CBF não faz testes off-line, não capacita e não investe. Lavou as mãos e induziu os clubes a não aprovarem. A CBF não tem interesse em legitimar o árbitro de vídeo", afirma.

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