Brasil terá que evoluir até Atenas
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segunda-feira, 18 de agosto de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) atingiu no Pan de Santo Domingo os seus objetivos: recordes históricos de medalhas (123), ouros (28) e a manutenção da quarta colocação geral, atrás apenas das potências EUA, Cuba e Canadá. Mas terá que melhorar se quiser subir ao pódio daqui a um ano, na Olimpíada de Atenas.
A reportagem coletou os tempos, notas e índices de algumas modalidades que foram responsáveis por 64 das 123 medalhas, ou 52%, do País no Pan e comparou-os com os dos finalistas em Sydney-2000. E constatou que apenas um atleta conseguiria repetir o pódio na Olimpíada: Rodrigo Bastos na fossa olímpica, do tiro.
Com 124 pontos em 125 possíveis na fase classificatória, que conta para efeitos de recorde, ele quebrou as marcas brasileira, sul-americana e pan-americana. Se estivesse na Olimpíada, teria igualado o recorde olímpico, de 1996. Se estivesse em Sydney, teria conquistado a medalha de prata.
A natação, que colheu 21 medalhas e foi a modalidade que mais rendeu medalhas ao País em Santo Domingo, teria como melhor resultado em Sydney um sexto lugar no 4 x 100 m livre, 1s26 atrás do tempo da própria equipe brasileira que foi bronze na ocasião.
Nas 21 provas, em 13 o tempo obtido foi pior do que os de todos os finalistas olímpicos. Ouro nos 200 m costa, Rogério Romero ficou a 54 centésimos do tempo do oitavo colocado na Austrália.
No fim de julho, em Barcelona, praticamente a mesma delegação que foi ao Pan não subiu ao pódio uma única vez pela terceira edição seguida de um Mundial, o maior hiato da história da modalidade.
O único atleta do País com dois ouros no Pan, Hudson de Souza, terminaria em 11º de 12 atletas na final dos 1.500 m do atletismo em Sydney, mais de 13 segundos após o terceiro colocado. Nos 5.000 m, a diferença foi semelhante.
Nos esportes com mata-matas individuais e coletivos, o levantamento apontou as modalidades em que os principais atletas não foram ao Pan, por não serem das Américas ou simplesmente por terem desprezado a competição.
O baixo número de inscritos também facilitou as conquistas. O pugilista James Dean, por exemplo, teve que vencer apenas uma luta para garantir o bronze.
Na classe snipe, do iatismo, Bruno Amorim e Dante Bianchi ganharam o ouro com apenas sete concorrentes. A facilidade foi destacada pelo tricampeão da competição Robert Scheidt, que venceu suas dez regatas no Pan: ''Não dá para comparar com um Mundial, que passa das 100 embarcações''.


