Brasil tenta acabar com jejum no Uruguai
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terça-feira, 29 de março de 2005
Agência Estado 
Montevidéu - Contra um adversário que recomenda o uso de caneleiras, o técnico Carlos Alberto Parreira espera hoje, às 21h45, pela quebra de um jejum: há 29 anos o Brasil não vence o Uruguai no Estádio Centenário, em Montevidéu. ''Jejum existe para ser quebrado e temos tudo para fazer isso agora. Estamos otimistas, com um time para ganhar''.
Parreira só não quer ver nenhum de seus jogadores entrando em catimba ou tremendo frente aos uruguaios que, tradicionalmente, apresentam um futebol de muita força e marcação. O técnico teme que uma possível pressão psicológica dos rivais atrapalhe a seleção. ''Li um artigo de um uruguaio dizendo que esse negócio de raça uruguaia é balela. E eu achei isso interessantíssimo, porque essa coisa da raça uruguaia não existe. Fala-se muito nisso, mas o Uruguai só foi campeão quando teve times mais técnicos que os outros''.
A pressão externa começou declarações dos jogadores e do técnico uruguaio, Jorge Fossati. O treinador prometeu que fará uma marcação cerrada nos atacantes do Brasil e sugeriu que Ronaldo usasse caneleiras. As provocações com relação ao ''Maracanazzo'' também não devem faltar. O lateral Roberto Carlos já chegou até a se irritar diante da insistência de jornalistas uruguaios em tocar no assunto.
Mas quem mais provoca é mesmo a torcida. No último jogo entre as duas seleções no Centenário, em 2001, uma enorme bandeira com a inscrição ''1950'' foi aberta na arquibancada, como referência ao título mundial conquistado pelos uruguaios, naquele ano, em pleno Maracanã.
Independentemente de catimba, pressão ou provocação, os confrontos entre Brasil e Uruguai têm sido equilibrados. Nos últimos 11 jogos entre as duas seleções principais de cada país, houve cinco empates e três vitórias de cada lado. No geral, porém, o Brasil leva boa vantagem: são 32 vitórias contra 20 dos uruguaios, além de 17 empates.
Parreira já definiu o substituto do zagueiro Juan, suspenso: é Luisão, do Benfica. Ele formará dupla com Lúcio. ''Nunca jogamos juntos, mas um dia isso ia acabar acontecendo. Vamos conversar bastante em campo. É mais fácil entrosar a zaga do que o atacante'', disse Luisão.
Apesar de dizer que não tem mais dúvida de quem irá escalar, Parreira não quis revelar se começará jogando novamente com Juninho Pernambucano ou se promoverá a entrada de Robinho. Já deu a entender, porém, que deve mesmo manter o volante na equipe, mas usando-o como meia armador.
Jogo isolado Ontem, a seleção da Bolívia venceu a Venezuela por 3 a 1, em La Paz, na partida que abriu a 13 rodada das Eliminatórias Sul-Americanas. O resultado reabilitou os bolivianos, que na última rodada, também em La Paz, perderam para a Argentina, por 2 a 1. Os venezuelanos vinham de empate por 0 a 0 contra a Colômbia.
EM MONTEVIDÉU
Uruguai
Viera; Lugano, Montero e Lopez; Diogo, García, Delgado, Regueiro e Darío Rodríguez; Forlán e Zalayeta. Técnico: Jorge Fossati
Brasil
Dida; Cafu, Lúcio, Luisão e Roberto Carlos; Emerson, Juninho Pernambucano, Zé Roberto e Kaká; Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira
Árbitro: Não divulgado
Estádio: Centenário
Horário: 21h45


