Mesmo entusiasmado com o desempenho da seleção brasileira no jogo contra os paraguaios, anteontem, o técnico Zagalo teme que o Peru possa ser ‘‘um Guga’’ na partida contra o Brasil, quinta-feira, pela fase semifinal da Copa América. O treinador observou que, a exemplo do tenista brasileiro Gustavo Kuerten, que surpreendeu ao conquistar o Torneio de Roland Garros, em Paris, o Peru - mesmo com um time B - tem demonstrado eficiência na competição e precisa ser encarado com respeito. ‘‘É um time que está abaixo no ranking, mas que tem bom potencial’’, destacou.
Pela primeira vez, desde que a seleção brasileira foi goleada pela Noruega, por 4 x 2, dia 30 de maio, em Oslo, Zagalo garantiu que a fragilidade defensiva da equipe fazia parte de uma estratégia planejada. Segundo ele, o objetivo era ver como o time reagia atuando de uma forma mais ousada. O resultado não agradou, admitiu, porque, mesmo mostrando eficiência no ataque, a seleção apresentou muitas falhas de marcação.
A atuação diante do Paraguai foi o modelo para a Copa de 98, na opinião do treinador. Ele acredita ter encontrado o equilíbrio entre ataque e defesa. ‘‘Demonstramos segurança na marcação e não perdemos a força no ataque’’, afirmou. Os jogadores ocupavam os espaços quando o time perdia a bola e evitavam que o adversário chegasse à área brasileira com facilidade, observou.
O estilo de jogo adotado pela seleção foi aprovado pelos jogadores e por comentaristas. O técnico Carlos Salvador Bilardo, campeão do mundo pela Argentina em 98, gostou do time de Zagalo. Depois de criticar o desempenho da equipe nos jogos anteriores, reconheceu que o treinador brasileiro está encontrando a forma certa de jogar. O meio-de-campo, mesmo sem grande desempenho individual, mostrou mais equilíbrio, na sua avaliação.
Para Tostão, comentarista da Rede Bandeirantes, o esquema agradou. ‘‘Sem dúvida, foi o melhor jogo’’, apontou. ‘‘Esse é o modelo da Copa, o que demonstra que Zagalo começou a corrigir as principais falhas.’’
O zagueiro Gonçalves disse que foi a melhor partida da seleção. ‘‘Jogamos mais determinados na hora de atacar e defender.’’ Flávio Conceição constatou que a seleção, além de atacar, mostrou que ‘‘sabe defender bem’’. A volta de Cafu à lateral-direita é a única mudança na equipe para a partida contra o Peru. Zagalo viu duas vezes o teipe do jogo entre Peru e Argentina. Ele garante, no entanto, que a seleção brasileira não vai mudar as suas características.
O meia Dunga, capitão da seleção brasileira, recebeu dois convites para iniciar a carreira de técnico de futebol: do Jubilo Iwata (Japão), onde está jogando, e do Monaco (Mônaco). O meia, de 33 anos, preferiu recusar. ‘‘Ainda não tenho cabeça para deixar a carreira de jogador’’, disse.
Peru Depois de assistir à vitória brasileira sobre o Paraguai, no domingo, o técnico peruano Freddy Ternero concluiu que a tarefa será muito mais difícil que derrubar a Argentina. ‘‘Além de ser o atual campeão do mundo, o que impõe muito respeito, o Brasil vem jogando melhor a cada partida’’, disse. Ele deverá fazer uma marcação especial sobre Ronaldinho e Romário.
O Peru não esperava chegar às semifinais. Um dos motivos é a inexperiência do grupo. Apenas quatro jogadores são considerados titulares do time que disputa as eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo: o goleiro Miguel Miranda, os defensores Jose Luís Reyna e Alfonso Dulanto e o atacante Cominges.

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