Brasil tem uma nova safra de campeões
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segunda-feira, 03 de novembro de 1997
Alberto Macedo 
Arquivo Folha
Em altaTony Kanaan foi a sensação na Indy Lights deste ano. O piloto (foto inferior) está certo na Indy em 98
Os brasileiros que competiram este ano no automobilismo europeu e norte-americano tiveram um desempenho prá lá de satisfatório, mostrando que a nova safra está muito bem preparada e prometendo grandes conquistas nas próximas temporadas. Dos quase 60 pilotos que estiveram em ação, seis conquistaram títulos e quatro foram vices-campeões nas principais categorias de acesso. A garotada mostrou serviço e agitou de vez os vários certames que disputaram.
Mais uma vez a exceção nestas conquistas foi a Fórmula 1, onde o Brasil, desde a morte de Ayrton Senna, em 1994, não tem um competidor que pelo menos brigue no pelotão de frente. Os pilotos Rubens Barrichello, Pedro Paulo Diniz e Tarso Marques foram os nossos representantes, mas tiveram poucas oportunidades de mostrar serviço.
Rubens Barrichello competiu pela estreante equipe Stewart, que mostrou potencial. O time de Jackie Stewart é muito organizado, mas ainda carece de um motor mais potente e confiável, sendo muito cedo para arriscar um prognóstico para 98. O melhor do time foi o segundo lugar de Rubinho em Mônaco. Pedro Paulo Diniz andou na Arrows, que vem sendo reestruturada e nesta temporada mostrou serviço. Chegou a andar na frente do companheiro Damon Hill e obteve seus primeiros pontos na categoria ao terminar em quinto o GP de Luxemburgo, disputado no circuito alemão de Nurburgring. Diniz acaba de renovar o contrato com a escuderia por mais dois anos.
Quanto ao curitibano Tarso Marques, competir pela Minardi valeu apenas para estar em evidência, uma vez que a equipe - a mais fraca da F-1 - sempre deu prioridade ao japonês Ukyo Katayama, que trouxe este ano o dinheiro para o time. Mesmo assim, a dupla largou na última fila na maioria das vezes. Tarso já disse que para 98 pouca coisa irá mudar ou, seja, se a Minardi evoluir um pouco, as demais irão avançar muito mais. O piloto, que se encontra em Curitiba, ainda não decidiu o seu futuro na categoria em 98.
Fórmula 3000Mesmo sendo punido com a retirada dos pontos da vitória na primeira etapa, em Silverstone, o curitibano Ricardo Zonta foi o grande destaque da temporada de F-3000, categoria de acesso à F-1. Zonta dominou o certame desde o início e ficou com o título obtendo três vitórias e dois segundos lugares como os melhores resultados. Competindo pela equipe Super Nova, a melhor da categoria, o piloto paranaense teve com único rival o colombiano Juan Pablo Montoya.
Zonta ainda não definiu o que fará em 98, mas deverá assumir alguma equipe como piloto de teste, apesar de sonhar com uma vaga na Tyrrel ou Jordan. Nesta, ele está bem entrosado, pois realizou vários testes como carro preparado com as mudanças para o próximo ano. Mas nada ainda é certo. O outro brasileiro que correu na F-3000 foi Max Wilson, quinto colocado na classificação final, que deverá ficar mais um ano na categoria.
Fórmula OpelConsiderada uma categoria de transição entre a F-3 e a F-3000, a F-Opel este ano foi totalmente dominada pelo paulista Marcelo Battistuzzi. Piloto que teve poucas oportunidade em boas equipes no exterior, este ano, pela italiana Vergani Racing, foi o campeão europeu e alemão de F-Opel. No Europeu, onde as provas são disputadas na maioria dos circuitos onde corre a F-1, Battistuzzi venceu seis das 13 etapas e terminou o certame com mais de 50 pontos de vantagem para o segundo colocado.
No certame alemão, Battistuzzi também foi o destaque, ganhando três das dez etapas, travando um grande duelo com o italiano Giovanni Montanari. O piloto mostrou fácil adaptação aos circuitos, o que foi de grande valia, uma vez que ele pretende disputar a F-3000 em 98.


