Pequim - A seleção brasileira feminina de futebol joga hoje em Pequim a partida ''que define o futuro do futebol feminino no país'', segundo o técnico Jorge Barcellos, mas como se estivesse em casa. Na partida contra Gana, decide-se a vaga para a Olimpíada na capital da China, país fã das jogadoras brasileiras.
O jogo acontece às 19h45 de Pequim, 8h45 de Brasília, no Estádio dos Trabalhadores, inaugurado em 1959 por Mao Tsé-Tung para comemorar a primeira década da Revolução Comunista - o estádio foi reformado para os Jogos.
No ano passado, a equipe nacional foi à final do Mundial da modalidade, disputado na mesma China, com futebol atraente, e Marta, em especial, mostrou vasto repertório de jogadas de efeito, o que deve render um bom número de torcedores e torcedoras amanhã para o Brasil.
Apesar do apoio da torcida local, a seleção feminina perdeu a final para a Alemanha no Mundial chinês. Depois de ficar com o vice-campeonato em Xangai, as jogadoras sabem que não podem perder desta vez. ''A equipe vê esse jogo como uma final'', disse a atacante Marta, estrela do time, no treino de ontem, no palco da decisão. ''Nosso objetivo é a futura medalha para o Brasil.''
Em Atenas-2004, o Brasil ficou com a medalha de prata. Ao contrário da seleção masculina, Gana não é vista como uma rival forte. No ranking da Fifa, o Brasil é a quarta seleção, enquanto a Gana é a 45. O país africano não passou da primeira fase no Mundial de 2007.
O Brasil só chegou à repescagem na disputa pela vaga porque não venceu o Sul-Americano, que valia como qualificatório para os Jogos. Com time recheado de reservas, perdeu para a Argentina por 2 a 0.
Outro motivo para o Brasil se sentir em casa hoje é a adaptação rápida das jogadoras à China. O técnico Jorge Barcellos diz que as atletas estão preparadas, pois chegaram em Pequim na terça-feira - saíram do Brasil no domingo. ''Não tem fuso horário para elas'', garantiu.
A zagueira Aline disse que as atletas não esperavam o clima seco de Pequim, mas que já se aclimataram. Marta, Cristiane e Daniela Alves, algumas das principais estrelas da seleção, uniram-se ao grupo por último - elas atuam no futebol sueco. Seis das dezoito jogadoras brasileiras jogam no exterior.

mockup