Pequim - Mais lembrada pelos tropeços do que pela coleção de troféus acumulados nos últimos anos, a seleção brasileira feminina de vôlei se redimiu e comemorou ontem o primeiro ouro olímpico de sua história após a vitória por 3 sets a 1 sobre o Estados Unidos - parciais de 25/15, 18/25, 25/13 e 25/21.
O ouro, o terceiro do Brasil na China, consagra uma geração que conseguiu se reerguer após pelo menos três grandes ''baques''. Há quatro anos, em Atenas-2004, o Brasil sofreu uma traumática derrota para Rússia nas semifinais, após desperdiçar sete match points, e depois perdeu também para Cuba na decisão do bronze.
O grupo atual conta com seis atletas que participaram daquela campanha -Valeskinha, Fofão, Mari, Sassá, Walewska e Fabiana. As outras seis chegaram ao grupo na reformulação introduzida pelo técnico José Roberto Guimarães, que tornou-se o primeiro a vencer tanto com homens como com mulheres em Olimpíadas - foi ouro com o time masculino em Barcelona-1992.
No Mundial de 2006, novamente desperdiçou match points e igualou a melhor campanha brasileira, com uma prata, mais uma vez perdendo para a Rússia. No Pan-2007, o time também perdeu o ouro, desta vez para Cuba, criando de vez o estigma de que o time seria perdedor.
Para se livrar dessa pecha, o Brasil chegou a decisão em Pequim ostentando campanha irretocável. Além de permanecer invicto na competição, não havia cedido nenhum set aos seus rivais, entre eles a Rússia, campeã mundial, a Itália, campeã da Copa do Mundo, e a China, anfitriã e ouro em Atenas-2004.
Uma das premiadas com a volta por cima foi a atacante Mari. No dia em que completava 25 anos, ela recebeu o maior presente que poderia ganhar. ''Ela queria muito esse presente. Deve estar for de si'', contou a mãe da jogadora, dona Gisela, que assistiu à partida acompanhada apenas do marido e pai da Mari, em Rolândia, onde a família mora. ''É uma alegria indescritível'', continou.
A mãe não sabe se Mari, que acertou com o time de São Caetano para a disputa da Superliga, passará por Rolândia quando chegar da China. ''Acho que vai passar uns dias na praia'', contou dona Gisela.
Na partida de ontem, a seleção dominou o primeiro set e fez 25 a 15, em 22 minutos, mesmo tempo gasto pelo Estados Unidos para darem o troco na segunda parcial.
No terceiro período, o Brasil anotou 25 a 13. No set decisivo, a equipe nacional chegou a estar atrás no placar, mas conseguiu a virada e fechou o jogo com um 25/21.
O bom momento da equipe brasileira já havia sido prenunciado no mês passado, quando o time conquistou o Grand Prix pela sétima vez na história. Até esta edição dos Jogos, o Brasil tinha como resultado mais expressivo as medalhas de bronze conquistadas em Atlanta-1996 e Sydney-2000. (Colaborou Thiago Mossini/Reportagem Local)

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