Brasil tem o melhor futsal do mundo
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Giuliander Carpes<br> Agência Estado 
Rio - A decisão do Mundial de Futsal, ontem, no Maracanãzinho, foi digna de uma produção cinematográfica. Com características épicas. O grande herói se chama Franklin. O vilão, Marcelo. A esquadra que o mocinho defende trajava amarelo. Os inimigos, vermelho. Os tons de drama ficaram por conta das memórias ruins de duas partidas perdidas para os mesmos rivais nos dois últimos campeonatos. E não faltaram mesmo tons de dramaticidade por um minuto sequer, durante mais de uma hora de duração da película, que acabou em tiros da marca do pênalti. No fim, o herói marchou com os companheiros sob os aplausos de uma arena de gladiadores lotada.
A história se repetiu com heróis, vilões, vencedores e vencidos diferentes. Em 2004, na semifinal, os espanhóis saíram com a vitória nos pênaltis após um empate por 2 a 2, em Taiwan. No Maracanãzinho, foi a vez de o Brasil derrotar a Espanha nas penalidades (4 a 3) depois de empate em 2 a 2 ao final da prorrogação. Levantou pela sexta vez o troféu, que não conquistava havia 12 anos.
O goleiro Franklin viu todo o jogo do banco de reservas, mas entrou em quadra na disputa por pênaltis. Não poderia ter sido mais heróico: diferente de 2004, quando era titular, pegou uma cobrança e o Brasil perdeu, desta vez defendeu duas e ganhou. ''Sabia que poderia ajudar. Deus é tão grande que ele fez aquela história acontecer novamente'', avaliou. ''No momento certo, fui iluminado. Conseguimos ser campeões dentro de nossa casa: uma felicidade absurda.''
A cobrança decisiva foi batida por Marcelo, brasileiro naturalizado espanhol que havia levado a Fúria à conquista do título no Mundial passado. Desta vez, ele saiu de quadra como vilão.
No futsal, o confronto com a Espanha atingiu um patamar de rivalidade semelhante ao clássico sul-americano com a Argentina no futebol de campo. A diferença é que, em quadra, brasileiros e espanhóis são inequivocamente as duas maiores potências. E decidem Mundiais. Ontem, disputaram pela terceira vez uma final (o Brasil venceu em 1996, enquanto os rivais europeus levaram a melhor em 2000).
O Brasil buscou o ataque durante todo o tempo, enquanto o adversário tentava o gol em perigosos contragolpes. Com algumas chances desperdiçadas, o primeiro tempo acabou 0 a 0. Na segunda etapa, Marquinho cobrou um escanteio, acertou o rosto de Borja e o canto do goleiro Luis Amado. 1 a 0 da maneira mais inesperada.
Logo depois, porém, Torras acertou um chute potente e surpreendeu Tiago: 1 a 1. A pouco mais de três minutos para o fim do jogo, Vinicius marcou o segundo para o Brasil. Faltando pouco mais de um minuto, Álvaro empatou. Na prorrogação não aconteceu gol e o jogo foi a decisão de pênaltis, que terminou com vitória brasileira.


