France PresseCaçadoEdmundo sofre combate de um defensor da Guatemala. Ele e Denílson foram os jogadores mais visadosO Brasil pode até vencer a Copa Ouro, mas a imagem da seleção número 1 no ranking da Fifa está definitivamente arranhada. Anteontem, em Miami, na segunda rodada do torneio, o melhor time de futebol do mundo não saiu de um empate com a modestíssima seleção da Guatemala por 1 a 1. O gol brasileiro nasceu de pênalti, cobrado por Romário, a 12 minutos do final. Aos 49 minutos do 2º tempo, a Guatemala empatou com Plata. Na estréia, terça-feira passada, o time já havia empatado por 0 a 0 com a Jamaica, que neste ano, pela primeira vez participa de uma Copa do Mundo. O técnico Zagallo não sabia explicar o resultado. ‘‘A gente está batalhando sem treinamentos. Mas é um resultado positivo, pois estamos num período de observação’’, disse ele.
A Seleção Brasileira desembarcaria em Los Angeles ontem, às 22h30 (de Brasília), prometendo reveter tudo - do fiasco maior, que seria a eliminação na Copa Ouro, até a reabilitação e a conquista do título. Para evitar outro vexame, a equipe terá de derrotar a seleção de El Salvador, amanhã à noite, no Coliseu Stadium. ‘‘Claro que quero ganhar aqui também, mas essa competição não é a nossa prioridade’’, declarou Zagallo, porém admitindo que o futebol da Seleção está abaixo da expectativa.
Seja por convicção ou com o objetivo de salvar as aparências, o treinador assegurou não estar preocupado com o desempenho que o time apresentou nos jogos de Miami. ‘‘Tudo o que está acontecendo será bom para a Seleção Brasileira na futuro’’, sustentou. Sua preocupação maior, no momento, é poupar tanto quanto possível os jogadores de críticas. ‘‘Jamais culpei e nunca vou culpar meus jogadores por maus resultados’’, garantiu. ‘‘A responsabilidade é toda minha, só que esta Seleção pode e deve jogar muito mais.’’
Numa breve avaliação, ele disse ter aprovado mais a atuação brasileira na primeira partida contra a Jamaica do que a última contra a Guatemala. ‘‘Claro que não gostei do time no segundo jogo - nem os próprios jogadores gostaram -, e a verdade é que deixamos muito a desejar’’, admitiu. Em seguida, assinalou que, apesar de o time ter criado algumas situações de gol - em número bem inferior ao do jogo de terça-feira -, mostrou muitos defeitos na quinta-feira. ‘‘Sentimos esses empates, deveríamos ter vencido os dois jogos, mas os resultados estão aí e não vão afetar a Seleção Brasileira.’’
Os jogadores deixaram o estádio abatidos com o novo tropeço e assim embarcaram rumo a Los Angeles. ‘‘Não sei se estou mais triste ou envergonhado’’, afirmou, por exemplo, o volante Mauro Silva, com sinceridade tetracampeã. O jogador do Deportivo La Coru¤a, por sinal, está preparado para ser improvisado pelo técnico Zagallo como zagueiro, na impossibilidade de Júnior Baiano e César, o único reserva para a zaga inscrito na competição, serem escalados. Ambos estarão suspensos contra El Salvador. Assim, com Mauro Silva quebrando o galho de zagueiro, está decidido que Doriva será o volante.
Ainda no corredor do estádio, entre o vestiário e o ônibus da delegação, estacionado abaixo das arquibancadas, Zagallo pôde ouvir os protestos da torcida brasileira em Miami. Os mais exaltados vaiaram o treinador, chamaram-no de ‘‘burro’’ e exigiram sua aposentadoria. Zagallo não perdeu o humor. ‘‘Eu moro na praia, vejo onda todo dia.’’

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