Brasil tem acesso fácil à efedrina
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segunda-feira, 07 de janeiro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - Apontada como a vilã do esporte dos EUA em 2001, após 11 mortes só no futebol americano, a efedrina encontra duas grandes facilidades para entrar no Brasil: o acesso simples à droga, que pode ser comprada pela internet, e a inexistência (em alguns casos, condescendência) do antidoping no País. Em programas de busca, é fácil encontrar lojas virtuais que oferecem o medicamento, que estimula o sistema nervoso central e é classificado como entorpecente pelo Ministério da Saúde.
A maioria dos sites está em países mais flexíveis com a efedrina, como Holanda e Rússia. O sujeito hospeda o site em países onde é permitida a venda e acaba se dando bem, afirma o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva. Em 2000, frente à Delegacia de Crimes, ele testou o procedimento e conseguiu importar efedrina e sementes de maconha por meio de sites. As drogas foram entregues pelos Correios.
A efedrina ainda acha abrigo no frágil sistema antidoping do país. Em alguns esportes individuais, como atletismo e natação, o controle é mais rigoroso. As modalidades coletivas, porém, muitas vezes não realizam o teste.
Em 2000, uma decisão da Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) aumentou a tolerância à efedrina. Há três anos, qualquer taxa de efedrina na urina era considerada doping. A tolerância, de 10 microgramas por mililitro de urina, foi criada para evitar falsos resultados, decorrentes, por exemplo, do uso de descongestionantes nasais. Fernando Solera, que comanda os testes antidoping da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da federação paulista e da Confederação Brasileira de Vôlei, considera a tolerância temerária. É um gancho para que as pessoas má intencionadas se aproveitem.


