São Paulo - A força e o planejamento fora dos gramados da Alemanha levou a melhor sobre a técnica e o talento da seleção brasileira feminina de futebol, venceu o duelo final por 2 a 0, ontem, em Xangai (China), e se tornou bicampeã mundial da categoria - antes, venceu em 2003.
Diferentemente das outras partidas da competição, o time do técnico Jorge Barcellos encontrou um adversário atento aos principais nomes do futebol nacional e que apostou na forte marcação em quase toda a partida.
Marta, por exemplo, artilheira do torneio com sete gols e considerada a melhor jogadora do mundo, foi bem marcada pelas adversárias e pouco produziu. Em sua melhor oportunidade, aos 19 minutos do segundo tempo, a brasileira, eleita a melhor jogadora do Mundial, desperdiçou um pênalti quando a partida estava 1 a 0.
A conquista não ocorreu por acaso. As alemãs fizeram uma campanha irretocável nessa competição. Em seis partidas, foram cinco vitórias e apenas um empate. Não bastasse isso, tiveram o ataque mais positivo (21 gols) e não sofreram um gol sequer.
Os dois títulos mostraram a importância de um planejamento. Para se ter idéia, a Alemanha teve apenas três técnicos em quase 30 anos de futebol. A federação local lista quase 300 confrontos contra seleções de outros países nos últimos 25 anos.
E mais: tem uma liga muito forte, algo que o Brasil só deve ter neste ano. A CBF prometeu a realização de uma Copa do Brasil. Resta saber se será cumprido.

Equilíbrio - Como já era esperado, o equilíbrio marcou o início do confronto entre Brasil e Alemanha. A marcação das duas equipes prevalecia sobre a qualidade técnica das melhores jogadoras, principalmente das brasileiras Marta e Cristiane e da alemã Prinz. Isso não quer dizer que não tiveram oportunidades para abrir o placar.
A seleção brasileira teve a principal chance, aos 23 minutos, com Daniela Alves, que acertou a trave da goleira Angerer. A forte seleção da Alemanha também criou. Na primeira, aos 4 minutos , Garefrekes entrou livre pela direita, mas errou na finalização. Dez minutos mais tarde, após uma tabela, Smisek chutou por cima do gol de Andreia.
Para o segundo tempo, as alemãs mudaram sua postura em campo passaram a pressionar o time nacional, que parece ter se assustado com esse atitude da rival e tinha dificuldades para ultrapassar o meio-campo. Melhor em campo, a Alemanha foi premiada, aos 6 minutos, com o gol de Prinz, aproveitando jogada da direita.
Aos 19 minutos, a equipe nacional teve a chance de empatar, após um pênalti sofrido por Cristiane. Na cobrança, Marta viu a goleira Angerer evitar o primeiro tento nacional.
A partir daí, a seleção nacional recebeu um balde de água fria e teve muitas dificuldades para atacar. Para piorar, sofreu o segundo gol, aos 40 minutos, quando Laurdehr aproveitou cobrança de escanteio e cabeceou firme contra a meta brasileira.

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