Rio - Ter o Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 é apenas um dos passos que o Brasil pretende dar no esporte. A ambição - e o desafio -, a partir da vitória sobre metrópoles do calibre de Madri, Tóquio e Chicago, é transformar o País em potência olímpica.
O primeiro ato desse objetivo já foi definido: o Ministério do Esporte e o futuro comitê organizador dos Jogos convocarão nos próximos dias presidentes de todas as federações desportivas de modalidades olímpicas para exigir um plano de metas visando à conquista de medalhas. O objetivo é investir na formação de novos atletas, que tornarão ''o País competitivo'' no Rio. No horizonte de 10 anos, o plano é transformar o Brasil em ''potência olímpica''.
Essas ambições foram reveladas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, e pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Coube a Lula usar a expressão ''metas'' para designar a ambição olímpica dos dirigentes. ''O que o Brasil quer nessas olimpíadas enquanto país competitivo?'', questionou, introduzindo o tema e reiterando a responsabilidade do Estado em motivar os atletas. ''Nós vamos ter de fazer uma reunião com os presidentes de federações de todos os esportes e exigir que eles apresentem um programa de metas. Onde queremos chegar no boxe, no basquete, nos Jogos Olímpicos?'', indagou.
Inspirado pelo planejamento da candidatura Rio-2016, Lula afirmou que começará em seu governo a montar uma estratégia de apoio ao esporte olímpico - tarefa que terá de ser concluída por seus sucessores. ''Fomos muito profissionais para preparar a nossa vitória. Vamos ser muito mais profissionais para preparar o Brasil para as olimpíadas'', garantiu o presidente. ''Daqui a 10 anos, quero que o Brasil seja uma potência olímpica. Nós temos condições para isso''.
Nuzman afirmou, contudo, que os métodos de abordagem das federações serão totalmente diferentes agora. ''Vamos trabalhar em novos padrões'', afirmou, sem entrar em detalhes. A ideia é de que o esquema de trabalho seja criado até o final de dezembro.
No entanto, Nuzman entende que será preciso mudar ''a cultura esportiva'' do brasileiro. ''No Brasil, perder é um crime. Temos de encarar as coisas de forma diferente. O próprio presidente Lula diz que perdeu três eleições e hoje é o presidente mais popular. No Brasil, se não ganhar não serve. Temos de mudar isso''.
O dirigente entende que o desempenho dos desportistas mudará se a cultura brasileira também for modificada. ''A pressão sobre os atletas é enorme. Eles não devem viver sobre a pressão de ser campeões'', avaliou. Para ''mudar a cultura'', porém, Nuzman terá de começar pelo próprio presidente da República. Na mesma entrevista, Lula afirmou, em tom de brincadeira: ''Nós vamos ganhar pela primeira vez o campeonato de futebol nas olimpíadas do Rio de Janeiro. Se essa molecada não ganhar, nós vamos dar um cascudo neles. Tem de ganhar agora!'', brincou.
A expectativa de que o país invista na formação de atletas também foi lembrada por Alexander Popov, medalhista olímpico e hoje membro do COI. Para ele, a vitória do Rio terá de ser revertida em ganhos para os atletas brasileiros e até sul-americanos. ''A cidade pode ganhar, o País pode ganhar. Mas quem mais tem de sair vencedor nisso são os atletas brasileiros'', disse.

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