São Paulo - A indústria tabagista, por um acidente do destino, está diretamente relacionada ao desenvolvimento da carreira do melhor golfista do Brasil na atualidade, o gaúcho Adilson da Silva, que ocupa a 257ª posição no ranking da federação internacional de golfe. O brasileiro que o persegue mais de perto na listagem é o paulista Alexandre Rocha, o 407º colocado.
Quando era adolescente, Adilson, que morava perto de um campo de golfe em Santa Cruz do Sul (RS), cidade famosa pela produção do fumo, costumava entrar lá para tentar ganhar alguns trocados. "Depois da escola, eu ia procurar por bolas para depois vender e ganhava um dinheirinho como caddie (carregador de tacos). Lá eu conheci o Andrew Edmundson, que ia comprar fumo para a empresa dele. Ficamos amigos e, depois de alguns anos, ele me convidou para tentar a carreira de golfista em Harare, no Zimbábue", lembrou o golfista.
Adilson se mudou aos 17 anos para a capital do Zimbábue e hoje mora em Durban, na África do Sul. Competindo pelo mundo, mas dando ênfase ao circuito sul-africano, ele evoluiu no ranking e sente-se afortunado por ter dado a tacada certa. "Meus pais nunca teriam dinheiro para que eu pudesse ser golfista no Brasil. Eu teria que ser sócio do clube, precisaria comprar um título", contou o filho de um carpinteiro.
Mesmo situado fora da lista dos 200 melhores golfistas do mundo, Adilson, hoje com 41 anos, acha que tem lá suas chances nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. "O golfe permite que qualquer um ganhe um torneio, qualquer um. Bastam quatro golpes de um jogo bom. Isso pode acontecer a qualquer hora, em qualquer torneio, em qualquer dia", explicou.
Otimismo
O golfe volta à programação dos Jogos Olímpicos depois de um afastamento que durou mais de um século. A modalidade esteve presente no evento apenas duas vezes - a última foi em Saint Louis, em 1904, quando apenas atletas dos Estados Unidos e do Canadá participaram.
A modalidade já vai fazer parte dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. E o presidente da Confederação Brasileira de Golfe (CBG), Paulo Pacheco, está empolgado. "O Brasil vai ser uma surpresa para o golfe, e o golfe vai ser o maior legado da Olimpíada", avisou.
O Brasil tem 25 mil praticantes de golfe - 10 mil são federados. A CBG pleiteia à International Golf Federation uma vaga garantida no masculino e no feminino por ser o país-sede da Olimpíada. E ainda pode ter mais uma vaga em cada categoria se alguém se classificar pelo ranking mundial. Hoje, teria duas vagas apenas no masculino.
A meta da CBG é ter dois representantes em 2016 e quatro na Olimpíada de 2020, em Tóquio. Para atingir essa meta, a entidade está enviando jogadores para a disputa de importantes torneios internacionais, em um calendário elaborado pelo técnico recém-contratado, o inglês Shaun Case, que, segundo Pacheco, deve se mudar para o Brasil até março.
No feminino, as esperanças brasileiras de resultados mais imediatos se localizam em jogadoras radicadas no exterior. É o caso de Luiza Altmann, que tem apenas 16 anos e treina com Sean Foley, técnico do astro norte-americano Tiger Woods. Ela já foi campeã do Estado da Flórida na divisão juvenil.
A maior aposta, porém, é Angela Park, que chegou a ocupar a 14ª posição no ranking mundial. Filha de pais sul-coreanos e nascida em Foz do Iguaçu, ela mora nos Estados Unidos desde os oito anos. Em 2010, ela decidiu abandonar o golfe e chegou a trabalhar como recepcionista em um hotel da Califórnia, mas voltou ao esporte em agosto do ano passado.

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