Brasil sofre mas vence Peru por 1 a 0
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domingo, 04 de junho de 2000
Agência Estado De Lima, Peru 
Com um futebol sem inspiração e pouco criativo, o Brasil derrotou ontem o Peru por 1 a 0 e assumiu a vice-liderança das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, com sete pontos, dois atrás da Argentina. O gol do Brasil foi marcado pelo zagueiro Antônio Carlos, numa prova de que mais uma vez o ataque do time não funcionou. Nas duas rodadas anteriores do torneio, nenhum atacante do Brasil conseguiu marcar. Edmundo, que voltou à equipe depois de dois anos, acabou expulso por jogada violenta.
O Peru iniciou a partida sob a pressão de sua torcida, que lotou o Estádio Nacional de Lima, e deixou o Brasil acuado por um bom tempo. Em dois lances, Dida apareceu bem e interceptou a bola lançada sobre a área. A expectativa do técnico Wanderley Luxemburgo era de que o Brasil se soltasse um pouco após os 15 minutos. Ele contava com a qualidade técnica de Rivaldo e de Alex para reverter o domínio do adversário.
Mas Rivaldo esteve apático durante todo o jogo, não produziu nada e foi o ponto negativo da equipe. Alex também deixou a desejar e acabou substituído por Denílson. No ataque a dupla França-Edmundo tinha dificuldades para se livrar da marcação da zaga do Peru. Na etapa inicial, os dois tabelaram apenas uma vez e Edmundo perdeu o gol diante de Miguel Miranda.
França fez um gol de calcanhar aos 30 minutos, aproveitando-se da sobra de bola, após choque entre Edmundo e Jayo. A arbitragem anulou o gol, indicando impedimento, que não houve. Quatro minutos depois, Cafu deu um chute forte e alto da defesa do Brasil e ela foi em direção a Antônio Carlos. O zagueiro dominou a bola no peito e concluiu de esquerda, fazendo um gol com estilo.
O Peru voltou animado para etapa final e pressionou a equipe de Wanderley Luxemburgo. No entanto, o time da casa carecia de jogadas que pudessem surpreender o Brasil. Denílson entrou no lugar de Alex e pelo menos correu mais que o craque do Palmeiras. As arrancadas de Rivaldo continuavam interrompidas na metade do caminho e ele também foi substituído: deu a vez para Vampeta. No final, o Brasil tocou a bola para garantir os três pontos. A vitória, porém, não foi convincente e a seleção continua devendo uma apresentação à altura da tradição do futebol brasileiro.
Ao sair do gramado do estádio Nacional, expulso de campo aos 42 minutos do segundo tempo, por jogada violenta, o atacante Edmundo não conseguiu esconder a frustração. Com as mãos no rosto e de cabeça baixa, certamente pensou que, com a expulsão, dificilmente teria outra chance na Seleção Brasileira. Na entrevista coletiva, porém, o técnico Wanderley Luxemburgo tratou de reanimar o jogador do Vasco.
O Edmundo não será cobrado pela expulsão. Ele deu um carrinho normal. O problema é que os árbitros já entram em campo premeditados contra o Edmundo. Não vamos fechar as portas da seleção para ele. O Edmundo é presente e futuro, disse o treinador, visivelmente interessado em afagar o atacante.
Quanto ao rendimento da Seleção Brasileira, Luxemburgo disse que aprovou. Pelas circunstâncias, foi bom. Tivemos problemas na chegada (o ônibus que levou a delegação para o hotel foi apedrejado por torcedores peruanos) e jogamos num ambiente desfavorável, devido às questões políticas. Além disso, atuamos com a torcida toda contra, afirmou.


