São Paulo - O Brasil já enfrentou adversários altos, com saques potentes, outros habilidosos, que defendem muito, quebrou tabu contra seu maior algoz, caiu e quase atingiu a perfeição. Na madrugada de amanhã, às 4 horas, no entanto, terá um adversário novo pela frente em seu maior teste até agora no Mundial: a rivalidade.
Tensão, provocações de ambos os lados, na quadra e no banco de reservas, duelos em momentos decisivos marcam os confrontos da seleção do técnico Bernardinho com a Itália nos últimos seis anos. Características que transformam os europeus em arqui-rivais dos brasileiros no vôlei.
''A rivalidade acabou ficando maior do que com a Argentina. Isso acontece porque jogamos quase todos na Itália, conhecemos todos os jogadores e temos amizade com alguns'', comentou o meio-de-rede Gustavo.
A Itália eliminou a seleção nas semifinais dos Mundiais de 1990 e 1998. Em 2002, os brasileiros deram o troco nas quartas-de-final e levaram o ouro. A rivalidade e o momento decisivo no Mundial do Japão - se perder, o time praticamente dá adeus às semifinais - já seriam suficientes para tornar a partida complicada para o Brasil. Mas a campanha dos italianos deixa o confronto ainda mais competitivo.
Após cair na final dos Jogos de Atenas-2004 diante dos brasileiros, a Itália entrou em crise. Nas duas últimas edições da Liga Mundial, não chegou à fase final com as próprias forças - neste ano, só avançou graças a convite da federação internacional e deu um vexame.
O cenário começou a mudar em setembro. Em uma reunião em Veneza, o técnico Gianpaolo Montali propôs um pacto aos atletas para voltarem ao topo. Até agora deu resultado. A seleção européia perdeu só um jogo, para a invicta Bulgária.
Os brasileiros fizeram a mesma campanha que os italianos, mas a única derrota abalou o grupo. Depois de perder para a França, a seleção conseguiu se recuperar. No entanto, ontem voltou a mostrar deficiências. Contra a quase eliminada República Tcheca, a equipe sofreu para superar os saques fortes e manter a concentração. Venceu por 3 sets a 0 (25/22, 25/20 e 26/24), mas deixou a quadra com sensação diferente daquela contra os EUA, em que foi quase perfeita.

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