Para o técnico Wanderley Luxemburgo, o amistoso de hoje, contra o Equador, em Washington (EUA), é apenas a segunda etapa do processo de transformação tática da Seleção Brasileira, cujo modelo inspirador é a Holanda. Luxemburgo entende que, se o Brasil conseguir aliar o talento natural dos seus jogadores ao futebol participativo e coletivo que os holandeses desempenharam na Copa da França, o time vai se tornar praticamente imbatível.
Nesse ‘‘futebol moderno’’, a vez é dos versáteis: os defensores atacam e os atacantes defendem. ‘‘Essa é a tendência do futebol mundial: talento só não resolve mais, é preciso participação total, sem inibir a habilidade’’, prega Luxemburgo.
Como não tem tempo suficiente para treinar o time e adaptá-lo a nova ‘‘era’’, Luxemburgo tem procurado ‘‘incutir pouco a pouco na cabeça do jogador a nova filosofia de trabalho’’. ‘‘Se você repetir diversas vezes, na base da conversa e da orientação do posicionamento, os jogadores acabam identificando aquilo que você quer’’, acredita o treinador.
Mas ele já constatou que o processo de assimilação é difícil. ‘‘Na minha estréia, contra a Iugoslávia, o time ficou totalmente preso no primeiro tempo, procurando cumprir as orientações táticas; no segundo, depois que expulsaram um jogador iugoslavo, os atletas tentaram resolver tudo na base da individualidade e não deu nada certo.’’
A idéia de Luxemburgo esbarra na preguiça tática habitual do jogador brasileiro e na falta de um maior espírito de colaboração, o que vem rendendo até uma polêmica entre os atletas convocados.
Recentemente, Luxemburgo irritou-se com Marcelinho Carioca porque o jogador recusou-se a obedecer a orientação tática de marcar o lateral-esquerdo do Palmeiras no clássico com o Corinthians, alegando que isso prejudicaria o seu rendimento.
Os brasileiros que atuam na Europa pensam da mesma forma que Marcelinho. ‘‘No Betis, querem que eu arme as jogadas e toque a bola em velocidade em vez de driblar, mas não vão conseguir mudar o meu jeito de jogar’’, disse Denílson.
Rivaldo, do Barcelona, recentemente reclamou de jogar aberto pela ponta-esquerda no seu time, como pediu o técnico. ‘‘Eu rendo mais no meio’’, justificou.
Atleta-modelo - ‘‘O jogador brasileiro tem de deixar de ser egoísta: o futebol vem evoluindo e nós precisamos acompanhá-lo, pensando no bem do grupo’’, disse o volante, meia, lateral e até zagueiro Vampeta, atleta-símbolo da era Luxemburgo. ‘‘Não tem essa de jogar só na posição em que você se sente mais à vontade e eu comentei isso com o Rivaldo: no Barcelona, o Cocu, que era atacante quando jogava no PSV comigo, já atuou, e bem, de lateral e até zagueiro’’, afirmou.
O Equador, que, em 18 jogos, nunca venceu o Brasil (perdeu 16 e empatou 2), montou um time às pressas para enfrentar a seleção. O técnico é interino: Polo Carrera, da seleção sub-23. Os destaques são os de sempre: o habilidoso meia Aguinaga e o zagueiro Qui¤onez, que já jogou no Vasco.
O árbitro escalado para o jogo é o norte-americano Esfandiar Baharmast, o mesmo que apitou a derrota da seleção para a Noruega na Copa do Mundo da França, marcando um pênalti contra o time de Zagallo no fim da partida. Mas, segundo a assessoria de imprensa da Nike, promotora da partida, Baharmast pode ser substituído na última hora para evitar qualquer polêmica com os brasileiros.

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