Rio - Marcar o Brasil com Robinho, Ronaldinho e Kaká seria uma tarefa menos complicada se um jogo de futebol tivesse bem menos do que os 90 minutos previstos no regulamento. Desde que o trio (com média de idade de 25 anos e em boa forma física) foi efetivado por Dunga, no segundo tempo do amistoso com a Argélia, há cinco partidas, a seleção foi muito mais efetiva na etapa complementar e bem cruel nos 15 minutos finais dos confrontos.
Foram 14 gols brasileiros no período, sendo que 11 nos 45 minutos finais. Isso representa uma participação de 79%, bem acima do padrão de outras equipes e seleções, que raramente passa dos 60%.
A falta de fôlego dos rivais para marcar os astros nacionais fica mais evidente quando faltam 15 minutos para o término dos jogos, como o Equador, na quarta-feira, na goleada pelas Eliminatórias para a Copa-2010, a qual deixou o Brasil na vice-liderança do qualificatório.
Oito gols do Brasil com o trio como titular nos últimos cinco jogos, ou 53% do total, foram feitos no final das partidas. ''A situação parecia normal. Sabemos que podemos perder para o Brasil. Mas, da maneira como estávamos jogando, não era para perdermos por uma diferença tão grande'', lamentou Luis Suárez, o técnico do Equador, ao comentar a transformação de um jogo parelho numa goleada no Maracanã.
Dunga não se surpreendeu com a goleada. ''Jogamos de forma sólida, não dando espaço ao Equador. Naturalmente, achamos os espaços na medida em que fomos nos soltando. No intervalo, falei com os atletas e pedi tabelas e jogadas individuais. Assim, os gols saíram.''
A substituição do treinador que mais tem contribuído para a seleção engrenar no final dos jogos é a entrada de Elano. Somando os jogos contra Equador, México e EUA, ele ficou em campo por 54 minutos. Nesse período, a seleção balançou a rede cinco vezes, sendo duas com o meia do Manchester City.
Como comparação, nesses duelos, Vágner Love jogou 155 minutos e, nesse tempo, o Brasil marcou as mesmas cinco vezes, só uma com ele. ''Tenho entrado e aproveitado as chances'', disse Elano, após o triunfo sobre o Equador, quando exaltou Robinho, autor de uma jogada magistral que resultou no gol do meia.
Apesar de a seleção render mais no final dos jogos com Elano, Dunga não deve adotar esse esquema desde o início dos jogos. Ele não quer que um dos meias tenha de jogar como um atacante fixo próximo à área.

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