Brasil pode ficar entre os cinco primeiros
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2004
Agência Estado 
Pela primeira vez o Brasil vai disputar uma edição do Dacar com a possibilidade de figurar entre os cinco primeiros nas três categorias da competição. A principal novidade é o carro Mitsubishi Pajero Full 3.8 V6, desenvolvido pela Raliart, uma das empresas mais conceituadas no meio esportivo, que será pilotado por Klever Kolberg e Lourival Roldan.
No ano passado, Kolberg, de 42 anos, e o navegador Roldan, de 45 anos, terminaram na 11ªcolocação geral, após enfrentarem problemas técnicos durante o rali. O novo carro é sinônimo de entusiasmo e otimismo renovado para enfrentar os perigos do trajeto de 8.956 quilômetros, dos mais variados tipos de terreno.
Este é o ano em que iremos com a melhor infra-estrutura. O novo carro teve uma redução de 250 quilos, por causa da nova estrutura tubular, e ainda terá 50 hps a mais que o antigo, pulamos para 260 cavalos, festejou Kolberg, falando em seguida sobre as chances na prova. Teremos 18 carros de fábrica, além de 20 outros em iguais condições ao nosso, por isso, se chegarmos em quinto será maravilhoso.
Nos caminhões, outra novidade: a entrada do navegador Luiz Azevedo, de 53 anos, no time formado por seu primo André Azevedo, 45 anos, e o checo Mira Martinec, 31 anos. Este ano, o trio quer ao menos repetir a façanha de 2003, quando foram vice-campeões. Na edição passada, estavam na segunda colocação mas o Trata que dirigiam quebrou e os fez terminar na 6 ª colocação.
Ciente das dificuldades do Dacar, principalmente, das situações dramáticas de pobreza vividas pelas populações africanas, com as quais cruzarão durante o trajeto, Luiz Azevedo, assim como os demais integrantes da equipe, levarão mantimentos para doá-los. O navegador do caminhão quer, inclusive, fazer uma partida de futebol com os nativos.
Vou levar umas bolas para distribuir entre a garotada. Eles são muito carentes. Não têm nem mesmo prato ou talheres para comida. Tudo é colocado em panelas e comido com as mãos, lembrou Azevedo, que participará pela sexta vez do Dacar.
Antes, já atuou como mecânico e piloto do caminhão de apoio da equipe Petrobrás/Lubrax. Apesar de todos os perigos, sempre me perguntam por que vou competir no Dacar. E respondo que é pelo desafio. Viver é um desafio, é superar limites.
Nas motos, Jean Azevedo, de 30 anos, tentará mostrar que está recuperado da operação realizada no ombro direito. A cirurgia o prejudicou na corrida passada, quando terminou em 14º na classificação geral, após ter ficado em quinto em 2003. O brasileiro vai correr com uma KTM semi-oficial de fábrica e assegurou estar recuperado dos problemas médicos.


