Seul - O Brasil está classificado às oitavas do mundial. Tal como se previu no dia em que as bolinhas da Fifa o contemplaram dando-lhe, no sorteio, o grupo mais fácil da Copa.
Venceu uma partida com todas as características de um treino de luxo. A China jamis chegou a ser um problema. Quando muito foi uma equação sem incógnita. Equação que se resolveu naquele chute de Roberto Carlos diante de uma barreira da altura de um meio fio, tão baixinhos são os chineses. Dali em diante a seleção brasileira treinou e fez rir a platéia do estádio.
A seleção chinesa, muito voluntariosa, ainda está nos cueiros do futebol. Sua bola é diminuta como a bola de ping-pong, esse sim, o esporte em que são mestres incomparáveis.
A partida, como eu disse acima, não passou de um alegre bate-bola brasileiro. Com uma especial particularidade: jamais se tinha visto, na história do mundial, um treino com a audiência planetária desse Brasil, 4, China, 0. Só a seleção derrotada entrou nessa multidão com cerca de 300 milhões de telespectadores. Convenhamos, é muita gente para um simples treino.
Beckham x Veron
Argentina-Inglaterra foi uma partida para a história da Copa do Mundo. Me lembrou Brasil, 1 x Inglaterra, 0, de 70, no México. O primeiro tempo dos ingleses merece um capítulo na antologia das grandes exibições. Toques rápidos, passes longos, jogo de aproximação, triangulações de rara precisão, culminando com lançamentos em longo alcance. Sem falar de aplicação tática, em que os jogadores se revezavam, harmoniosamente. Por sua vez, a seleção Argentina, depois de asfixiada no primeiro tempo, reencontrou seu brilhante binômio: improvisações pessoais e impecável circulação de bola. Senhores, todos dos mais puros fundamentos do futebol.
Confirmou-se a impressão corrente, por aqui, de que seria um jogo com ares de final. Duas equipes com a mesma envergadura técnica. Veron, pra surpresa geral, não se impôs como a figura central da partida. Aquele jogador onipresente, que sempre faz a bola circular, lucidamente, perdeu-se na vertigem da seleção inglesa. Seu rival direto, o inglês David Beckham, mesmo não tendo recobrado a capacidade física, foi o cérebro de sua equipe.
Discreto, contido, ainda assim, ganhou o confronto com Veron. O argentino que, por sinal, foi trocado por Pablo Aimar, um jovem de extraordinário talento. Depois de ver Inglaterra-Argentina, fui dormir feliz. Felizmente, o futebol não está morto.
Copa e cozinha
- - A Azzurra é a única seleção que ouve o seu hino de boca fechada. Ninguém canta. Será que não gostam da melodia? Aliás, eu já ouvi o Pavarotti dizer que, se dependesse dele, o hino nacional da Itália seria o ‘‘Il sole mio’’.
- Essa é a Copa dos mutilados, como disse outro dia. E em terra de lesionados, fisioterapeuta é rei. As seleções francesa, espanhola e italiana contam cada uma com cinco profissionais do ramo.
- A seleção de Portugal é virtualmente o ‘‘Bloco do Eu Sozinho’’: bola pro Figo, bola de Figo, bola com Figo. O adversário sabe disso, cerca o Figo, marca o Figo, mata (de cansaço) o Figo.

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