Atenas - Com uma delegação recorde de 246 atletas (122 mulheres e 124 homens), o Brasil chega para a Olimpíada de Atenas com pelo menos cinco chances reais de obter medalhas de ouro. Para isso, será necessário confirmar o favoritismo nos esportes em que o País aparece como o número um do mundo, fato que não aconteceu em Sydney, há quatro anos.
Na Grécia, o Brasil estará representado pelos melhores atletas do mundo em diversas modalidades. São os casos dos exercícios de solo da ginástica artística, com Daiane dos Santos, da classe laser da vela, com Robert Scheidt, do vôlei masculino e também do vôlei de praia, tanto masculino como feminino, com Ricardo/Emanuel e Adriana Behar/Shelda.
Caso todos façam valer seu favoritismo, o Brasil poderá quebrar o seu recorde de medalhas de ouro olímpicas, obtido em Atlanta-1996 (ver quadro abaixo). Naquela oportunidade, a delegação voltou para o Brasil com três medalhas de ouro: Jacqueline/Sandra Pires (vôlei de praia), Robert Scheidt (classe laser) e Torben Grael e Marcelo Ferreira (classe star).
No caso de apenas um esporte conseguir a medalha de ouro, o País já terá conseguido melhorar o seu desempenho em relação à última Olimpíada. Na Austrália, o Brasil terminou na 52 colocação, sem conseguir nenhum ouro a pior desde Berlim-1936. A delegação brasileira voltou dos Jogos sem um campeão olímpico pela primeira vez desde Montreal-1976.
Para os favoritos Robert Scheidt, Adriana Behar/Shelda e Ricardo (que em 2000 fazia parceria com Zé Marco), a pressão em Atenas não será muito diferente do que aconteceu na última edição dos Jogos. Em 2000, completavam a lista de favoritos o time masculino de futebol, a dupla de vela Torben Grael/Marcelo Ferreira (classe star) e o cavaleiro Rodrigo Pessoa, além da boa fase do tenista Gustavo Kuerten.
Na Olimpíada australiana, o País chegou à marca histórica de seis medalhas de prata. Três dos vice-campeonatos vieram em modalidades em que esperava-se o ouro: Zé Marco/Ricardo, Adriana Behar/Shelda e Robert Scheidt.
Apesar de ter deixado escapar o primeiro lugar na última regata em 2000, Scheidt disse, antes do embarque para a Grécia, estar bem habituado às cobranças. ''Acho que consigo competir ainda melhor quando estou sob pressão. Carrego a responsabilidade há dez anos', destacou o velejador.
Scheidt disputa sua terceira Olimpíada credenciado pelo ano excelente que teve em 2004. Ele foi campeão dos nove campeonatos que disputou, com destaque para o heptacampeonato mundial, em Bodrum (TUR), e as vitórias nas Semanas de Hyères (FRA) e de Kiel (ALE), além do Campeonato Grego.
Se para Scheidt a pressão por vitória é normal, Daiane dos Santos, que passou por uma cirurgia no joelho há menos de dois meses, tem se mostrado apreensiva quando à conquista do inédito ouro na ginástica. A atual campeã mundial do solo (título obtido em Anaheim-2003) afirmou na semana passada ser complicado conquistar uma medalha.
Ricardo, que compete em Atenas ao lado de Emanuel, terá mais favoritismo ainda nesta edição dos Jogos. Ao lado do novo parceiro, ele ganhou por antecipação o título do Circuito-2004 seis vitórias em 13 etapas disputadas , repetindo a conquista do ano passado.
No feminino, Adriana Behar e Shelda lideram o Circuito Mundial deste ano. A dupla busca o sexto título na competição foi campeã em 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. No entanto o maior objetivo é o ouro em Atenas, conquista que escapou nos Jogos de Sydney.
No vôlei de quadra, a seleção masculina foi campeã do Mundial-2002, da Copa do Mundo-2003 e das duas últimas edições da Liga Mundial (2003 e 2004). Desde que Bernardinho assumiu o comando em 2001, o time disputou 138 jogos e sofreu apenas 15 derrotas. O Brasil chegou a ficar 33 jogos invicto, mas perdeu a invencibilidade no último domingo (derrota em amistoso para a França).
Além das cinco disputas em que chega como número um, o Brasil também tem grandes chances de subir ao alto do pódio com a seleção feminina de vôlei, atual campeã do Grand Prix e que ocupa a segunda posição no ranking da FIVB (Federação Internacional de vôlei), e o triplista Jadel Gregório, que aparece no segundo posto no ranking mundial do salto triplo, atrás apenas do sueco Christian Olsson.

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