Brasil perde o seu principal medalhista
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sábado, 13 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O bicampeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva, falecido ontem, em São Paulo, está sendo velado no salão nobre da Assembléia Legislativa. O enterro está marcado para o cemitério do Chora Menino, sábado, às 10 horas. Adhemar Ferreira da Silva foi internado no Hospital Santa Isabel no domingo com broncopneumonia. Por volta das 8h30 de ontem, o ex-atleta sofreu um ataque cardíaco e foi levado às pressas para a UTI. Às 9h45, Adhemar Ferreira da Silva faleceu, vítima de insuficiência cardíaca e respiratória. Na década de 50 ele superou por cinco vezes o recorde mundial do salto triplo
O ex-recordista mundial do salto triplo, Adhemar Ferreira da Silva, morreu na madrugada de ontem, no Hospital Santa Isabel, em São Paulo. Adhemar, único brasileiro bicampeão olímpico, tinha 73 anos e estava internado há alguns dias com problemas pulmonares. Na década de 50, ele superou cinco vezes o recorde mundial de sua prova e foi tricampeão dos Jogos Pan-Americanos.
Em 1950, em São Paulo, ele saltou 16 metros e igualou o recorde mundial do japonês Naoto Tajima, que já vigorava há 14 anos. Seu último recorde foi nos Jogos Pan-Americanos do México, em 1955, quando saltou 16 metros.
O velório de Adhemar foi marcado para a Assembléia Legislativa de São Paulo, no Ibirapuera, e o enterro está previsto para hoje, no Cemitério Chora Menino, em Santana, zona norte de São Paulo. Adhemar era viúvo e deixou uma filha, Adiel, e um neto.
Adhemar encantou o mundo nos anos 50, quando criou um novo estilo para o triplo, ajudado pelo legendário treinador de origem alemã, Dietrich Gerner. Era elegante ao saltar e tinha como principal característica o equilíbrio. Ele começara quase que por acaso no atletismo, na metade da década de 40. Achava que se praticasse atletismo, seria capaz de manter a elegância física. Nunca escondeu essa vaidade. E ainda nos últimos tempos mantinha a boa forma física. Adhemar morreu pouco tempo depois de outra lenda do atletismo mundial, o checo Emil Zatopek, de quem era amigo há quase 50 anos. Ele lembrava que conhecera Zatopek em Helsinque, nos Jogos de 1952, quando ganhou sua primeira medalha de ouro e Zatopek foi campeão dos 5.000 e 10.000 metros e da maratona.
Um fato que gostava de lembrar era de 1987, quando juntos com outros astros do atletismo foram homenageados em Roma, pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF). A IAAF comemorava seus 75 anos e lançou filme em vídeo e um livro (100 Golden Moments) com 100 performances de 100 atletas que haviam ajudado a fazer a história do atletismo até então. Um dos saltos de Adhemar em Helsinque, de 16,22 m recorde olímpico e mundial , foi uma das performances escolhidas. Em Roma, Adhemar, Zatopek, Irena Wiezinska (Polônia), Ralph Boston (Estados Unidos), Lasse Viren (Finlândia) eram alguns dos nomes que pontificavam.
No auge de sua carreira, Adhemar enfrentou os expoentes da escola soviética do salto triplo, cujo astro era Leonid Tcherbakov, vice-campeão olímpico em Helsinque. Os dois se reencontrariam 45 anos depois, em Manaus, onde Adhemar fora para uma solenidade da CBAt e Tcherbakov era consultor técnico do Centro de Treinamento de Alto Nível (CETAN), na Vila Olímpica.
Cidadania O atletismo foi a minha porta de entrada na cidadania, gostava de repetir Adhemar. Foi graças ao atletismo, que tive tantas oportunidades, ele reconhecia. Depois que parou de competir, em 1960, foi patrono de inúmeros projetos ligados ao atletismo. Ainda em 2000, aceitou convite do presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, para ser patrono do projeto da Coca-Cola, que em parceria com o governo do estado do Amazonas, passou a patrocinar o CETAN e a Vila Olímpica de Manaus. Ele não pôde voltar a Manaus, onde, na última segunda-feira, 8 de janeiro, assumiria um lugar na Comissão de Atletas da CBAt, durante a Assembléia Geral da entidade, junto com Joaquim Cruz, Nelson Prudêncio e Robson Caetano da Silva. Ele havia sido hospitalizado em São Paulo, com problemas pulmonares.
Seu último recorde foi nos Jogos Pan-Americanos do México, em 1955, quando saltou 16 metros.


