Brasil perde da Rússia e fica fora do pódio. Cuba leva título
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Agência Estado e France Presse 
A derrota para a Rússia na disputa pela medalha de bronze do Campeonato Mundial Feminino de Vôlei encheu de tristeza os integrantes da delegação brasileira, ontem, em Osaka. A seleção, que é dona de duas medalhas de prata - obtidas no Mundial do Brasil, em 1994, e na Olimpíada de Atlanta, em 1996 -, não planejava ficar fora do pódio. O quarto lugar foi um duro golpe, decepção manifestada pelas lágrimas das jogadoras, as curtas declarações e marcada pela atitude de Ana Moser, que se isolou do grupo, seguindo para o vestiário.
O técnico Bernardinho, arrasado, chegou a falar no fim de um ciclo, depois da derrota para as russas por 3 sets a 1 (13/15, 15/6, 15/11 e 15/13). Cuba apenas provou sua supremacia ao conquistar a medalha de ouro, com vitória sobre a China por 3 sets a 0 (15/4, 16/14 e 15/12).
France PresseTristeza brasileiraJogadoras desoladas após a derrota para a Rússia: Bernardinho diz não saber se continuará no comandoVirna, sentada no banco de reservas, de cabeça baixa, e Leila, parada, olhando para o nada, eram a imagem da tristeza. Estou tranquila e resignada, limitou-se a dizer Ana Moser, o destaque do Brasil ontem, com 9 pontos e 29 vantagens. Bernardinho não se conformava. Disse que era a maior frustração de sua carreira e teve dificuldade para explicar a derrota para as russas. Desde que assumiu o cargo, em 1994, foi a primeira vez que a seleção ficou fora do pódio de uma competição importante.
Depois de uma derrota é difícil explicar o que se sente, afirmou. Acho que equipe perdeu o espírito de luta, acrescentou. Talvez um ciclo tenha terminado para que outro comece. Bernardinho agradeceu o trabalho, durante o tempo em que está no cargo, das jogadoras Ana Moser e Fernanda Venturini - a levantadora confirmou que vai deixar a seleção, depois de 12 anos. Fernanda vai casar com Bernardinho em maio, e tem planos de ser mãe e de dedicar mais tempo a sua vida pessoal.
A jogadora confirmou que disputará a próxima Superliga pelo Rexona, do Paraná, mas não decidiu se continuará jogando depois disso.
Bernardinho não foi claro se pretende continuar no cargo. Não sei o que vai ocorrer, só quero voltar para casa, pensar, falar com a CBV, observou, referindo-se à Confederação Brasileira de Vôlei. Não sou de abandonar o barco e nem uma entidade que tem me apoiado, mas ainda não sei.
Se depender da vontade do presidente da entidade, Ary Graça, nada muda no comando da equipe depois do quarto lugar no Mundial. Por vários motivos a seleção não chegou ao pódio, mas não considero que tenha acabado um ciclo, disse Graça. Disse que o ciclo planejado pela CBV é de quatro anos, foi iniciado em Atlanta, em 1996, e só termina na Olimpíada de Sydney, no ano 2000.
As melhores - A cubana Regla Torres foi eleita a melhor jogadora do Mundial, e recebeu um prêmio de U$ 100 mil. Os destaques: melhor jogadora, Regla Torres (Cuba); saque, Elles Leferink (Holanda); levantadora, Hiroko Tsukumo (Japão); colocadora, Maurizia Cacciatori (Itália); receptora, Hiroko Tsukumo (Japão); atacante, Ana Ivis Fernandez (Cuba); bloqueadora, Regla Torres (Cuba); anotadora, Barbara Jelic (Croácia); melhor técnico, Antonio Perdomo (Cuba); técnico mais criativo, Nobuchika Kuzuwa (Japão); e equipe com melhor jogo, Cuba.
Os outros resultados de ontem no Mundial do Japão: Itália 3 x Croácia 0 (15/7, 15/10 e 15/8) e Holanda 3 x Japão 1 (15/12, 3/15, 15/10 e 15/8). A classificação final da competição foi a seguinte: 1º, Cuba; 2º, China; 3º, Rússia; 4º, Brasil; 5º, Itália; 6º, Croácia; 7º, Holanda; e 8º Japão.


