Brasil pega Rússia no primeiro desafio pelo título do Mundial
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segunda-feira, 02 de novembro de 1998
Agência Folha 
Jamais na história o Brasil conseguiu formar uma seleção feminina com tantas chances de título como a que estréia amanhã no 13º Mundial de Vôlei, no Japão. Na competição, em que duas de suas estrelas, Fernanda Venturini e Ana Moser, se despedem, o Brasil teme apenas um adversário: Cuba, bicampeã olímpica e algoz da campanha de 94, quando derrotaram as brasileiras por 3 sets a 0, na final disputada em São Paulo.
Integrante do Grupo C, a seleção estréia amanhã, às 7h30 (de Brasília), contra a Rússia, no City Gymnasium, em Matsumoto, com transmissão pela televisão (Sportv). Alemanha e República Dominicana completam o grupo.
A rigor, pelos resultados nos últimos quatro anos, só 4 das 16 seleções participantes lutam pelo título: Brasil, Cuba, Rússia e China. Comandada há quatro anos por Bernardo Rezende, a equipe brasileira chega ao torneio prestigiada pela conquista do Grand Prix, no final de setembro, último encontro oficial antes do Mundial. Mais: depois de três derrotas seguidas no início da competição, venceu as oito partidas restantes. Mais: superou duas vezes Cuba e, na final, bateu a então campeã Rússia. Mais ainda: teve eleitas a revelação do torneio. Raquel, 21, a melhor jogadora, Leila, 27, e o melhor bloqueio, Ana Paula, 26. Cuba tem se mantido no primeiro nível do vôlei há muito tempo. É favorita ao título. Fisicamente, as cubanas são quase insuperáveis , diz
Eu só não acho que elas levem vantagem sobre nós na experiência. Esse time (o brasileiro) adquiriu consciência de seu potencial e tem maturidade. Do elenco que ganhou bronze em Atlanta/96, o primeiro torneio de peso da era Bernardinho, sete atletas jogam o Mundial. Os principais desfalques são Ida e Márcia Fu, além de Hilma, cortada.
Outra faceta na campanha no GP contribuiu para aumentar o frisson em torno da seleção: estavam ausentes Ana Moser e Fernanda Venturini, além de Érika, que, depois de tratamento hormonal, aguardava liberação da Federação Internacional de Vôlei para jogar. A lógica que se traveste em favoritismo é simples: se desfalcado, conquistou o título, no Japão as chances são ainda maiores. Uma coisa é certa: o Brasil nunca reuniu tantas condições de ser campeão. Agora: apaguem o Grand Prix. Era outra competição, outro ritmo, e todas as seleções ralaram muito para o Mundial, diz a atacante Ana Moser, 30. O jogo de estréia contra a Rússia, salvo desastres, decide qual será o primeiro colocado do Grupo C. Isso ocorre porque Alemanha e República Dominicana são adversários de currículo inexpressivo. O mais difícil é que não vimos mais a Rússia jogando, diz Bernardinho. Não é bom começar o Mundial sem saber ao certo como marcar as jogadas
deles.
O regulamento do Mundial prevê que as três seleções mais bem classificadas de cada grupo avancem à rodada seguinte. As brasileiras jogariam a segunda fase com rivais saídos do Grupo A, que reúne Japão, Holanda, Peru e Quênia.
Para a definição das quatro finalistas, serão somados os resultados da primeira fase (daí a importância de sair em primeiro do grupo) e da segunda fase. Se perdemos para a Rússia, terei que modificar todo o planejamento, diz Bernardinho sobre a estratégia para enfrentar Cuba somente numa eventual final. Depois de cinco dias treinando em Kobe, período no qual fez quatro jogos-treino (dois com os EUA e dois contra uma equipe japonesa), a seleção brasileira viajou ontem para Matsumoto.
Depois da Rússia, enfrenta a República Dominicana, na quarta, e a Alemanha, na quinta-feira. Se passar, no sábado, dia 7, estréia na segunda fase, em Nagoya. Para tentar seu terceiro título, a seleção de Cuba (ganhou em 78 e 94) também estará reforçada: a atacante Regla Torres, 27, recuperou-se de contusão no tornozelo. A exemplo do Brasil, terá despedida: Mireya Luis, 30, que, apesar de seu 1,76 m, se firmou como a melhor atacante do mundo. A Rússia, do briguento e gesticulador Nikolai Karpol, faz aposta em Elena Godina, 1,92 m, terceira maior pontuadora do Grand Prix. O maior trunfo da China, vice-campeã olímpica, está no banco: a treinadora Lang Ping, ex-capitã de sua equipe. Ela se converte hoje na única mulher no comando de uma seleção, seja no Mundial feminino ou no masculino, que será disputado a seguir, também no Japão.


