Às vésperas de seu mais difícil compromisso na Olimpíada, às 3 horas de amanhã, em Canberra, na semifinal contra os Estados Unidos, o técnico Zé Duarte e as jogadoras da Seleção Brasileira de futebol minimizaram os problemas de relacionamento no grupo, que vieram à tona com uma briga entre a volante Daniela e a zagueira Mônica após a vitória sobre a Suécia.
Sem querer citar o nome, apontaram um integrante da comissão técnica como responsável por divulgar um ‘‘clima de crise’’ que, segundo dizem, não existe. ‘‘Inventaram muita coisa mentirosa. Dentro do nosso próprio ambiente tem uma pessoa querendo deturpar, mas ela vai ter a resposta’’, disse a meia Sissi.
Questionado sobre o assunto, Zé Duarte referendou as críticas da jogadora: ‘‘Tem alguém dentro da comissão técnica (espalhando boatos), e não sou eu’’. A Folha de S.Paulo apurou que o acusado de ‘‘semear a discórdia’’ é o auxiliar técnico Wilson Riça, cujas relações com o resto do grupo vêm se deteriorando a cada dia.
‘‘A briga que ocorreu aqui foi por problemas banais – a versão oficial diz que foi pelo uso de um terminal de Internet – e foi superada. Elas podem ter divergências, mas não há crise. São 18 atletas juntas há 50 dias. Se para homem já é difícil, imagine para mulher’’, disse Zé Duarte.
‘‘Ninguém é obrigado a gostar de ninguém aqui dentro. Há divergências e discussões. Claro que não são todas iguais, mas a gente se respeita’’, completou Sissi, que, com uma lesão muscular na coxa, não tinha até esta sexta-feira escalação garantida.
Mais do que vencer uma partida de futebol, as jogadoras da seleção brasileira tentarão subverter a lógica. Segundo colocado na primeira fase, o Brasil irá cruzar já na semifinal com os EUA, campeões olímpicos e mundiais, donos da melhor jogadora do mundo, a atacante Mia Hamm, e favoritos absolutos a mais uma medalha de ouro, principalmente após a eliminação da China. Ou, nas palavras do técnico Zé Duarte, ‘‘um bicho-papão’’.
Para continuar na Olimpíada e disputar o ouro contra as vencedoras de Noruega x Alemanha, as brasileiras terão que derrubar esse ‘‘monstro’’, algo que só conseguiram uma vez na vida. Em caso de empate, o jogo vai para a ‘‘morte súbita’’. Se o placar continuar nulo após 30 minutos, a decisão será nos pênaltis.
Em pelo menos dez confrontos desde o surgimento do futebol feminino (a CBF não soube informar a estatística oficial), o Brasil só venceu os EUA em um amistoso disputado em 1997, em São Paulo, por 1 a 0. Empatou duas vezes, ambas na Copa Ouro deste ano (na segunda, acabou derrotado na ‘‘morte súbita’’), e perdeu todas as outras. ‘‘Vai chegar o dia em que o Brasil vencerá os Estados Unidos. E estamos fazendo tudo para que seja no domingo’’, diz Zé Duarte.
O duelo de domingo será ‘‘o jogo de nossa vida’’, segundo Sissi. ‘‘Ou a gente entra para a história ou o futebol feminino brasileiro não vai mudar, vai continuar na mesma, sem apoio, sem campeonatos, como sempre.’’

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