Após empatar por 1 a 1 com Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026, o Brasil terá de superar um tabu histórico para conquistar o hexacampeonato. Em todas as cinco campanhas que terminaram com o título mundial, em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, a seleção brasileira venceu sua primeira partida no torneio.

O Brasil não conseguiu estrear com vitória em seis oportunidades. As derrotas ocorreram nos dois primeiros Mundiais disputados pela seleção: em 1930, para a Iugoslávia, e em 1934, para a Espanha. Já os empates foram em 1974, contra a Iugoslávia; em 1978, diante da Suécia; e em 2018, contra a Suíça. Agora, em 2026, o empate com Marrocos amplia essa lista.

Nas campanhas vitoriosas, o retrospecto é perfeito. Em 1958, o Brasil derrotou a Áustria por 3 a 0; em 1962, venceu o México por 2 a 0; em 1970, goleou a Tchecoslováquia por 4 a 1; em 1994, superou a Rússia por 2 a 0; e, em 2002, bateu a Turquia por 2 a 1.

Esse não é o único tabu que a seleção precisará derrubar para levantar a taça. Caso seja campeã, o Brasil também se tornará a primeira seleção da história a conquistar uma Copa do Mundo sob o comando de um treinador estrangeiro. Até hoje, todos os campeões mundiais foram dirigidos por técnicos da mesma nacionalidade de suas seleções.

Outras campeãs

Apesar do tabu brasileiro, a história das Copas do Mundo mostra que estrear sem vitória não impede necessariamente a conquista do título. Porém, apenas quatro seleções conseguiram ser campeãs mundiais após tropeçarem na primeira partida.

A primeira foi a Inglaterra, em 1966. Jogando em casa, os ingleses empataram sem gols com o Uruguai na abertura do torneio e, posteriormente, conquistaram seu único título mundial. Em 1982, a Itália repetiu o feito ao empatar por 0 a 0 com a Polônia na estreia antes de levantar a taça na Espanha.

Os exemplos mais marcantes vieram nas edições mais recentes. Em 2010, a Espanha iniciou sua campanha com uma surpreendente derrota por 1 a 0 para a Suíça na África do Sul. Já em 2022, a Argentina sofreu uma das maiores zebras da história das Copas ao perder por 2 a 1 para a Arábia Saudita na estreia. A equipe comandada por Lionel Scaloni, porém, reagiu e terminou campeã no Catar.

Ancelotti não se abala

Apesar do tropeço na estreia, o técnico italiano Carlo Ancelotti mantém a confiança no elenco. O Brasil volta a campo na sexta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), quando enfrenta o Haiti pela segunda rodada do Grupo C, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia.

“A confiança é total. No futebol, nem tudo sai perfeitamente. A estreia, por muitas razões, pode não acontecer da maneira que imaginamos”, afirmou Ancelotti, que demonstrou irritação na entrevista coletiva após o empate.

“O objetivo é nos classificarmos, avançarmos da fase de grupos e evoluirmos ao longo da competição”, acrescentou.

O treinador destacou a melhora da equipe na segunda etapa diante dos marroquinos. Marrocos abriu o placar com Saibari, mas Vinícius Júnior empatou ainda no primeiro tempo. Na etapa final, o Brasil cresceu de produção e teve chances para virar o jogo, especialmente em uma oportunidade desperdiçada por Raphinha após boa jogada de Vinícius Júnior. O gol, porém, não saiu.

“A equipe estava ansiosa e perdeu muitas bolas. Fizemos um segundo tempo muito melhor. O resultado não é ruim. A Copa não se ganha no primeiro jogo”, avaliou.

A delegação brasileira retorna aos treinamentos nesta segunda-feira (15), no centro de treinamento do New York Red Bulls, em Nova Jersey, base da seleção durante a Copa do Mundo. Uma das principais missões de Ancelotti ao longo da semana será fortalecer a confiança do grupo para o confronto contra o Haiti, que ganhou caráter decisivo após o empate na estreia.

“Temos de melhorar nesse aspecto. Não podemos perder a confiança. Em uma estreia de Copa do Mundo, tudo pode acontecer. A equipe não estaria perfeita no primeiro jogo. O resultado não é ruim, mas vamos lutar para vencer o segundo”, concluiu o treinador.

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