Brasil marca 3 a 0 no Uruguai e conquista, invicto, o bicampeonato
Rogério Fischer
Enviado da Folha
A Seleção Brasileira venceu a do Uruguai por 3 a 0, ontem à noite, no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, no Paraguai, e conquistou, invicta, o bicampeonato da Copa América. Foram seis vitórias em seis jogos, com 17 gols a favor e dois contra. Rivaldo e Ronaldo foram os artilheiros do torneio, com cinco gols cada um.
É o sexto título continental do Brasil - a Argentina e o próprio Uruguai continuam na frente, com 14 cada - e o primeiro, oficial, da Seleção sob o comando do técnico Wanderley Luxemburgo, que assumiu, em lugar de Zagallo, um mês após a Copa da França.
A próxima Copa América será disputada na Colômbia, em 2001. E o Brasil terá o desafio de conquistar o tricampeonato (venceu também na Bolívia, em 97), façanha, até agora, obtida apenas pela Argentina (45/46/47). A maior parte dos jogadores brasileiros segue hoje para o México para a disputa da Copa das Confederações (leia texto nesta página).
O equilíbrio da partida durou apenas o tempo em que o jovem e aguerrido time uruguaio conseguiu manter, no meio-de-campo, uma marcação cerrada. Sob pressão, o time brasileiro encontrou, de novo - a exemplo do que já ocorrera nas quartas-de-final contra a Argentina - dificuldades para articular jogadas.
A forte pegada dos uruguaios impôs à partida - disputada sob um frio de 8 graus - um ritmo frenético, intensa disputa pela bola e... muitas faltas. Resultado: dois jogadores do Uruguai (Callejas e Vespa) e um do Brasil (Flávio Conceição) foram advertidos com cartões amarelos nos primeiros 19 minutos, sempre após jogadas em que a canela adversária correu sério perigo.
Começou a aparecer, a partir daí, o trio que levaria a Celeste ao desespero. As tramas de Rivaldo com Zé Roberto e Roberto Carlos, que já haviam ameaçado o gol uruguaio em duas ocasiões, surtiram efeito, pela primeira vez, aos 20 minutos. Conceição cobrou falta da esquerda, Rivaldo antecipou-se aos zagueiros e, de cabeça, desviou a bola de Carini: Brasil 1 a 0.
E foi em nova triangulação pela esquerda que surgiu o segundo gol brasileiro: aos 26 minutos, Zé Roberto cruzou à meia altura; na marca do pênalti, Rivaldo dominou já livrando-se do zagueiro e, na saída do goleiro (que esperava um chute forte), concluiu com um toque sutil.
O Uruguai assustou-se, o Brasil relaxou. O quebra-gelo veio aos 44, na única jogada perigosa da Celeste: o lateral Del Campo tabelou com Magallanes, invadiu a área e chutou forte, no travessão de Dida.
Na volta do intervalo, o time de Luxemburgo não deu tempo para a equipe de Púa respirar: logo a um minuto e meio, Ronaldo recebeu longo lançamento de Rivaldo, calculou o pique da bola e venceu Carini com um forte chute de esquerda, no ângulo - Brasil 3 a 0.
Daí em diante foi um festival de gols perdidos, duas vezes com Rivaldo e outras três com Ronaldo. O Uruguai - sempre com Zalayeta - também desperdiçou algumas chances.
Foi, verdadeiramente, um baile em Assunção.
FICHA TÉCNICA
Brasil 3
Dida; Cafu, João Carlos, Antônio Carlos e Roberto Carlos; Émerson, Flávio Conceição, Rivaldo e Zé Roberto; Amoroso e Ronaldo. Técnico: Wanderley Luxemburgo
Uruguai 0
Carini; Del Campo, Picún, Lembo e Bergara (Guigou); Coelho (Alvez), Vespa (Pacheco), Fleurquin e Callejas; Magallanes e Zalayeta. Técnico: Víctor Púa
Árbitro: Oscar Ruiz (Colômbia)
Estádio: Defensores del Chaco, em Assunção
Renda e público: não divulgados
Gols: Rivaldo aos 20 e 27 minutos do 1º tempo; Ronaldo a 1 do 2º tempoTime de Luxemburgo supera a aguerrida equipe uruguaia e obtém o título com 100% de aproveitamento
Albari RosaComemoraçãoO capitão da Seleção Cafu beija a taça conquistada ontem diante do Uruguai. O atacante Rivaldo sorriAlbari RosaDisputaA lateral/meia Zé Roberto recebe forte marcação de um jogador uruguaio ontem, na final da Copa América





