Brasil lava roupa suja
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Agência Estado 
Os próprios jogadores da Seleção Brasileira concluíram que não será possível ganhar esta Copa do Mundo se continuarem divididos em grupinhos. Para tentar solucionar os problemas de relacionamento e a troca de acusações, organizaram uma reunião só entre eles na noite de anteontem, na concentração do Hotel Château de Grande Romaine, em Lésigny.
Todos puderam falar e reclamar, mas o que nós discutimos são coisas nossas, não podemos passar para ninguém. Só estamos tentando acertar e definir de uma vez por todas se queremos continuar na Copa ou não, disse o zagueiro Aldair, um dos idealizadores do encontro.
Apesar do mistério, ficou definido após a conversa que nenhum atleta poderá cobrar e criticar publicamente um companheiro. A derrota sempre traz uma mensagem: quem sabe podemos unir definitivamente o grupo agora, afirmou o meia Leonardo.
O atacante Edmundo, que passou muito tempo calado na França, foi outro a admitir que existem problemas de relacionamento. É natural que haja uma divisão de pensamento: num grupo grande, que fica mais de 30 dias reunido, é normal que três ou quatro pensem de uma maneira e três ou quatro pensem de outra.
Os problemas internos da Seleção agravaram-se depois que o capitão Dunga, aparentemente, perdeu o controle e o respeito de alguns jogadores, principalmente os mais jovens e, em sinal de protesto, decidiu parar de gritar com o time e tentar incentivá-lo durante as partidas.
Alguns, porém, insistem em dizer que os desentendimentos são fruto da imaginação de imprensa. Vocês estão sempre criando histórias e aí fica esse ambiente desagradável de diz-que-diz. Eu já nem leio mais as notícias divulgadas pela Internet para não me aborrecer, afirmou o goleiro Taffarel. Ele, que já assinou um termo de compromisso para jogar no Galatasaray, da Turquia, insinuou até que os jogadores podem fazer uma greve de silêncio contra os jornalistas. Vai chegar uma hora que ninguém vai dar mais entrevistas.
O técnico Zagallo concordou com o goleiro. Vocês (jornalistas) estão vendo uma desorganização que não existe.
Pelo menos um jogador não saiu totalmente satisfeito da reunião para avaliar a derrota do Brasil frente à Noruega. O lateral Roberto Carlos deu uma de Ronaldinho e também reclamou que a bola não está chegando. Ele tentou justificar a sua fraca atuação até agora na Copa: Eu estou melhorando, pedindo mais a bola. Estou também pedindo para cobrar faltas. Pouco a pouco, vou chegar a minha melhor forma.
Dos seis gols da seleção na Copa, o lateral não teve participação em nenhum deles. Para Roberto Carlos, o problema não é só dele. Acho que a seleção está jogando 60% ou 70% do que pode mostrar. Mas o importante é que estamos crescendo e podemos chegar aos 100% para disputar a final. Contra o Chile, ele espera que o time tenha mais velocidade e vontade de vencer. Temos de demonstrar força, porque agora não podemos mais perder.


