Brasil joga para salvar projeto olímpico e cargo de Luxemburgo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Agência Folha De Gold Coast, Austrália 
Desde o início de junho, quando foram definidos os grupos do torneio olímpico de futebol, a seleção brasileira sabia que iria enfrentar o Japão, numa revanche de Atlanta-96, quando os orientais venceram por 1 a 0 logo na estréia. O que Wanderley Luxemburgo e seus garotos sub-23 nem imaginavam é que, mais do que o desejo de vingança, o duelo representaria a sua própria sobrevivência
Pois é exatamente assim, lutando para permanecer na Olimpíada e manter Luxemburgo no cargo, que o Brasil enfrenta o Japão nesta quarta, às 6h, em Brisbane. O que era para ser um amistoso, tornou-se, após a derrota por 3 a 1 para a África do Sul, uma decisão.
Uma eventual eliminação, somada à montanha de problemas que Luxemburgo acumulou nas últimas semanas, significará a demissão do técnico. Aumentando a pressão sobre a equipe, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que não está hospedado no mesmo hotel da seleção, reuniu-se com Luxemburgo e jantou com os jogadores. A CBF reservou 48 assentos em um dos vôos que deixam a Austrália na quinta-feira.
Para garantir a classificação às quartas-de-final sem depender do outro jogo do Grupo D (África do Sul x Eslováquia), a seleção precisa vencer por qualquer placar. Caso empate, terá que torcer por uma derrota dos sul-africanos.
Vencer o Japão por qualquer placar não é tarefa fácil. O líder isolado do grupo está invicto há 25 partidas. No Pré-Olímpico asiático, o Japão teve uma campanha irrepreensível: 12 jogos e 12 vitórias, com o impressionante saldo de 63 gols positivos (66 marcados, média de 5,5 por jogo, e 3 sofridos).
Em que pese a fragilidade dos adversários, em sua trajetória à Olimpíada fez da goleada uma rotina: massacrou as Filipinas em duas ocasiões (13 a 0 e 11 a 0), o Nepal (9 a 0) e a Tailândia (6 a 0).
O time que está na Austrália é a base do que disputará a Copa-2002, no próprio Japão e na Coréia do Sul, um motivo a mais para tentar engrenar na Olimpíada. Os japoneses, apesar da liderança, não estão classificados. Se perderem do Brasil e a África do Sul vencer a Eslováquia, estarão eliminados.
O maior desafio da seleção é superar a pressão detonada após a derrota para a África do Sul. Luxemburgo repassou a responsabilidade pelo resultado para os jogadores, em particular para Ronaldinho. Nesta segunda, o atacante disse que não foi bem nos dois primeiros jogos porque estava preso ao esquema tático.
Luxemburgo manterá a equipe. Perder da África foi ótimo, entre aspas. Porque, nesse momento, dá para recuperar. Se perdêssemos nas quartas, estaríamos fora. Questionado sobre a sua eventual demissão em caso de eliminação, o técnico repetiu um de seus bordões favoritos: Sou feito vara de marmelo, envergo, mas não quebro. O Brasil vai se classificar.


