Rio de Janeiro - O Brasil tenta hoje, a partir das 10h30, retomar a hegemonia perdida no futsal. Jogando em casa, no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, a seleção brasileira disputa a final da Copa do Mundo de 2008 contra a Espanha, atual bicampeã mundial e principal rival do time nacional nos últimos anos.
O Brasil chega à final com uma excelente campanha. Na defesa, a seleção brasileira do Mundial de 2008 é a melhor de todos os tempos. Tomou apenas seis gols contra sete da antiga recordista, a equipe verde-amarela do longínquo campeonato de 1992. Um padrão semelhante ao dos espanhóis, adversários da final de hoje, que levaram também seis gols em 2004, quando conquistaram seu último título. No ataque, o Brasil continua irretocável. Com a vitória diante da Rússia (4 a 2), na semifinal, tornou-se a maior força ofensiva da competição, com 63 gols. Só falta agora controlar os nervos.
Falcão, Vinicius, Schumacher e Franklin estavam no time de 2004, que perdeu para os espanhóis na semifinal em Taiwan. Sofrem, ainda hoje, com o fardo de terem sido protagonistas da pior campanha do País em um Mundial de Futsal - pentacampeã, se computados os tempos anteriores à Fifa, a seleção ficou apenas com o terceiro lugar naquele campeonato. ''A responsabilidade agora aumenta muito'', diz o goleiro reserva Franklin. ''A derrota fez com que a gente aprendesse algumas lições'', explica o ala Falcão.
Como foi visto nos últimos dois jogos, contra Ucrânia e Rússia, a pressão começou a pesar. Em quadra, os jogadores brasileiros passaram pelos adversários. Mas nada de mostrar a tranquilidade da primeira fase. ''A equipe precisa estar concentrada e se focar um pouco mais no jogo'', afirma o técnico Paulo César de Oliveira, o PC. O nervosismo quase custou o empate dos russos a três minutos do fim. A seleção, porém, deu a volta por cima e, logo depois de levar uma bola na trave que poderia ter sido o gol de empate, marcou o gol que definiu o jogo em 4 a 2.
Psicologia
Precavido, uma das primeiras atitudes do treinador ao assumir a equipe, três anos atrás, foi levar para a comissão técnica a psicóloga Melissa Voltarelli. Mais cedo ou mais tarde, ele pensava, o trauma das edições passadas do Mundial voltaria a atormentar os atletas. ''O nosso maior desafio é controlar a ansiedade dos jogadores'', conta. ''Dificuldade de dormir, nervosismo, tudo isso é normal, mas eles precisam dosar isso na hora da partida.''
PC vê como bom sinal a passagem pela semifinal, apesar do peso das memórias ruins como o trauma da derrota nos pênaltis, em 2004. ''Hoje realmente eles estão num estado emocional que é o melhor que eu já vi nesse grupo em quatro anos'', atesta o treinador. ''Acredito muito neles, no estágio que eles estão, acredito muito na cabeça deles.'' Agora falta também superar o trauma de 2000, quando os espanhóis venceram a final, na Guatemala, por 4 a 3, com dois gols nos últimos minutos, ambos de tiro livre direto.
''É o momento mais importante do nosso esporte porque a gente está há doze anos sem ganhar o campeonato do mundo'', analisa PC. ''Pode ser o momento mais importante de nossas vidas.'' Se será algo para comemorar ou novo trauma para superar daqui a quatro anos, só se saberá por volta das 12h30 de hoje. Até lá, os brasileiros tentam controlar os nervos.

mockup