Buenos Aires, 04 (AE) - A Argentina aproveitou o futebol ruim da seleção brasileira, hoje à tarde, em Buenos Aires, ganhou por 2 a 0 e superou o rival continental na história dos confrontos. Agora, são 31 vitórias contra 30 do Brasil, além de 22 empates. Foi também a vingança pela eliminação na última Copa América. Os brasileiros têm a chance de igualar os números, terça-feira, no amistoso de Porto Alegre. A torcida fez festa no Monumental de Nuñez, que teve a presença do craque Maradona.
Os brasileiros deram espaço ao adversário. Faltou ainda alguém para pegar a bola e sair para o jogo. A análise, ao fim do primeiro tempo, foi do próprio técnico Wanderley Luxemburgo, desanimado com o rendimento de sua equipe na etapa inicial. Desde o começo da partida, os argentinos fizeram uma marcação forte, principalmente na saída de bola do Brasil.
O futebol dos brasileiros ficou prejudicado. A bola pouco chegava ao ataque. O meio-de-campo, além da falta de criatividade de jogadores como Vampeta e Zé Roberto, ainda era presa fácil para os argentinos. Estes, por outro lado, tinham mais liberdade para jogar. O combate brasileiro acontecia mais perto na grande área.
Os argentinos, apoiados pelos torcedores, aproveitaram esta certa facilidade em campo apenas aos 29 minutos de jogo. Verón, um dos "estrangeiros" do técnico Marcelo Bielsa arriscou um chute de longa distância e sem muita força. A bola quicou no gramado e Dida, caído, não conseguiu evitar o gol.
A seleção brasileira pouco chegava ao gol de Bonano. Nem mesmo o talento de Ronaldo e Ronaldinho funcionava no Monumental de Nuñez. Para acabar com o "chutão" e começar a jogar, Luxemburgo resolveu fazer três mudanças na equipe para o segundo tempo. Vampeta, Zé Roberto e Ronaldinho foram substituídos por Marcos Assunção, Alex e Élber, respectivamente. O Brasil mostrou mais vontade. Aos 8 minutos, Roberto Carlos e Vivas trocaram empurrões. A partida até que estava calma.
A esperança de reação brasileira complicou-se aos 12 minutos. Em bela jogada de Sorín e González, a bola sobrou para Crespo marcar o segundo gol. O atacante do italiano Parma sonha, um dia, ter a popularidade de Batistuta. A melhor chance de gol da equipe de Luxemburgo só aconteceu aos 16, com Ronaldo, que chutou uma bola no poste direito de Bonano. Aos 24, o atacante, sozinho, cabeceou a bola para fora. Pouco depois, mostrou irritação. Foram muitas chances perdidas.
Os argentinos, embalados por gritos de "olé" e com a colaboração da defesa adversária, ainda tiveram chance de conseguir uma goleada. Dida reabilitou-se. Uma pequena pressão brasileira nos minutos finais de nada adiantou. Depois de 16 anos, a Argentina venceu o Brasil em casa. A última vez havia sido na Copa América de 1983. Ficha Técnica: Argentina 2 x 0 Brasil Gols - Verón aos 29 minutos do primeiro tempo e Crespo aos 12 do segundo. Argentina - Bonano; Vivas, Ayala, Samuel e Sorín; Zanetti, Redondo, Ortega (Gallardo) e Verón (Simeone); Claudio Lopéz (González) e Crespo (Berizzo). Técnico - Marcelo Bielsa. Brasil - Dida; Cafu, Antônio Carlos, Scheidt e Roberto Carlos; Émerson, Vampeta (Marcos Assunção), Zé Roberto (Alex) e Rivaldo; Ronaldo e Ronaldinho (Élber). Técnico - Wanderley Luxemburgo. Juiz - Gustavo Mendez (Uruguai). Cartão amarelo - Antônio Carlos, Scheidt, Émerson, Verón e Crespo. Renda - US$ 1.185.310,00. Público - Não divulgado. Local - Monumental de Nuñez.

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