Brasil joga contra Bélgica e desafio de inventar espaço
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quinta-feira, 05 de julho de 2018
Paulo Vinícius Coelho 
Kazan - Antes de o Brasil vencer o México, a estatística dos times de mais posse de bola na Copa do Mundo era assustadora. Líder nesse quesito, a Espanha foi eliminada na véspera do jogo brasileiro pelas oitavas. Alemanha, segunda colocada, e Argentina, terceira, também pegaram o avião para casa. A seleção de Tite é a quarta colocada em posse de bola.
Não é um problema jogar com troca de passes, e o diagnóstico matará o doente se alguém disser que é melhor entregar o controle do jogo para o adversário. Não é. O problema não é a bola. É a falta de espaço. Criá-lo, como Josep Guardiola ensina em seu livro "Guardiola, Confidencial". Diz que não gosta do tiki-taka. Os passes incessantes chateiam, mas funcionam se forem estratégia para balançar a defesa rival, de modo a abrir buracos nela.
O desafio desta Copa, e do futebol disputado em dez metros entre as linhas de defesa e meio de campo é inventar espaço. No dia seguinte à eliminação espanhola e à percepção de que o Brasil era sobrevivente entre os líderes em bola no pé, a seleção de Tite venceu o México e ouviu Osorio argumentar a seu favor falando em posse de bola. A seleção brasileira teve menos.
A Bélgica venceu seus quatro adversários com mais de 51% do tempo com bola no pé. Correu risco de eliminação contra o Japão e sofreu dois gols da Tunísia. Mas quebrou tabu de 82 anos sem ganhar da Inglaterra, numa partida entre os reservas, dos dois lados.
O melhor jogador belga na Copa do Mundo é Eden Hazard. Joga pela esquerda e vai sufocar Fagner. Apesar disso, só dois dos 12 gols da seleção de Roberto Martínez nasceram pelo setor esquerdo. Seis em tabelas pela faixa central do campo, quatro em jogadas pela direita.
O Brasil precisa marcar bem com seus dois laterais. Mas pode explorar as duas pontas, no ataque. A Bélgica joga num 3-4-3. Quando defende, recua os pontas e os alas. Vira 5-4-1. Costuma passar mais tempo atacando. Parece novo pensar que Brasil x Bélgica reúna o melhor ataque da Copa, o belga, contra a melhor defesa, a brasileira.
Não esqueça que a primeira Copa vencida pelo Brasil, a única na Europa, veio com Pelé e Garrincha, mas também com a defesa menos vazada. As Copas na Europa são mais difíceis. É a sexta consecutiva com seis europeus entre os oito das quartas de final. A última, na Alemanha, teve semifinais com os donos da casa, Itália, França e Portugal. Brasil e Uruguai tentam mudar isso nesta sexta-feira (6).


