O futebol brasileiro dá início, amanhã, bem cedo, às 6 horas de Brasília, a busca de uma inédita medalha de ouro em Jogos Olímpicos. Enfrenta a forte equipe da Eslováquia, em Brisbane, na primeira partida do grupo C da competição. O time vai contar com suas principais estrelas, Alex e Ronaldinho. O estádio The Gabba deve ter sua capacidade tomada – pouco mais de 35 mil pessoas são aguardadas. Entre o grupo, não há quem esconda a ansiedade pela estréia. O próprio Alex resumiu como todos se sentem diante da cobrança de ter de conquistar o ouro. ‘‘Estamos entre a glória e o fracasso.’’
Capitão da equipe, ele tomou a iniciativa de reunir os atletas para que todos firmassem um pacto pela vitória no torneio. De Ronaldinho, ouviu palavras de apoio. ‘‘Chegou a hora de deixar o sonho de lado e de construir um caminho para escrever nossos nomes na história do futebol’’, disse o atacante do Grêmio, ídolo dos pequenos torcedores da Austrália que assistem aos treinos da seleção. Os últimos dias foram conturbados por causa dos problemas do técnico Wanderley Luxemburgo com a Justiça e das manifestações de estudantes brasileiros que vivem na Austrália, favoráveis a presença de Romário nos Jogos.
A psicóloga Suzy Fleury esforçou-se para minimizar os efeitos desses atos e das investigações sobre supostas irregularidades do treinador. O resultado de sua iniciativa pode ser atestado a partir de amanhã. A torcida brasileira promete incentivar o time, mas não vai deixar de lado o senso crítico. Cartazes devem ser levados ao The Gabba, burlando a segurança, com críticas a Luxemburgo. ‘‘Se isso acontecer, vai ser uma coisa normal’’, ele comentou.
Desde ontem, Brisbane tem sido ‘invadida’ por brasileiros que moram em Sydney, a mais de 900 quilômetros de distância. Muitos vieram de ônibus, outros de trem e os mais privilegiados devem chegar hoje, de avião. Grupos de estudantes estão programando festinhas antes e após o jogo. Uma boate do centro da cidade, às margens do Rio Brisbane, já foi escolhida como a que vai reunir dezenas deles para as comemorações – não há um brasileiro em Brisbane pessimista para a estréia do Brasil.
‘‘Vai ser uma honra vestir a camisa amarela’’, afirmou o paulista Jeison Quraitem, de 23 anos, que aprimora seu inglês no Russo Institute of Technology, em Brisbane. Não há novidades na seleção. A zaga vai ser a mesma do Pré-Olímpico, formada por Álvaro e Fábio Bilica. Concorrente direto a ganhar uma vaga no setor, Lúcio ficou surpreso com sua saída do time – ele destacou-se nos últimos treinos e foi o melhor em campo no jogo-treino de domingo, em que o Brasil goleou o Club Marconi por 4 a 0, na periferia de Sydney. Na verdade, Bilica sempre foi o preferido de Luxemburgo e só demorou a recompor a dupla com Álvaro por ter se apresentado com atraso. Geovanni foi confirmado no ataque e Fábio Aurélio, na lateral-esquerda.

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